MP denuncia 'maníaco em série' por morte de funcionária do MEC
Promotores qualificaram assassinato de Letícia Curado como feminicídio, tentativa de estupro, furto e ocultação de cadáver
O cozinheiro Marinésio Olinto, de 41 anos - chamado de "maníaco em série" pela Polícia Civil do DF - foi denunciado pelo assassinato da funcionária do Ministério da Educação Letícia Sousa Curado Melo, de 26 anos. A denúncia foi feita pelo Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) nesta terça-feira (17).
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O MP encaminhou à Justiça a denúncia por quatro crimes:
Leia também
- Homicídio quintuplamente qualificado (feminicídio, motivo torpe, meio cruel, dissimulação e crime praticado para assegurar impunidade de outro crime)
- Tentativa de estupro
- Furto
- Ocultação de cadáver
Além da morte de Letícia, Marinésio é suspeito de ter praticado, pelo menos, dez crimes contra mulheres.
"Trata-se de verdadeiro "serial killer" agindo no Distrito Federal, uma vez que logo após a descoberta do presente fato várias denúncias surgiram contra o acusado", diz a denúncia.


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Justificativa do MP
Ao todo, o inquérito apresentado pelo MP tem 148 páginas. Já a denúncia assinada pelo promotor de justiça Otávio Binato tem 6 folhas.
De acordo com a acusação, o motivo torpe é porque Marinésio matou Letícia Curado após a advogada se recusar a manter relações sexuais com ele. Já o meio cruel se deu porque o acusado esganou a vítima, "causando sofrimento intenso e desnecessário".
Ainda segundo o documento, houve dissimulação porque Marinésio se passou por motorista de transporte irregular.
Para o MP, o feminicídio ficou evidenciado pelo profundo desprezo do cozinheiro pelo gênero feminino.
De acordo com o Ministério Público, Marinésio atacava mulheres de forma "reiterada para obrigá-las à prática de sexo ou de outros atos libidinosos não consentidos". Para os promotores, Letícia Curado foi morta para assegurar a impunidade da tentativa de estupro.
Caráter violento
Segundo o promotor Otávio Binato, o depoimento de Marinésio demonstrou "seu perfil agressivo", por isso, o MP pediu a prisão preventiva - sem prazo para acabar - do cozinheiro. Ele está detido temporariamente desde 24 de agosto, um dia após a morte de Letícia.
"Trata-se de uma pessoa de caráter violento, que não pode ficar em convívio social."
Se a denúncia for aceita pela Justiça, Marinésio se torna réu e vai ser julgado pelo Tribunal do Júri na vara de Planaltina. A pena prevista para crimes de feminicídio varia de 12 a 30 anos de reclusão.
Questionado pelo G1, o Tribunal de Justiça do DF informou nesta quarta-feira (18), que "a denúncia do MP foi encaminhada à Vara do Tribunal do Júri de Planaltina e está sendo apreciada pelo juiz, ainda sem decisão".
A morte de Letícia Curado
O corpo da funcionária do MEC Letícia Curado foi localizado em 26 de agosto, três dias após desaparecer a caminho do trabalho. Na época, Marinésio foi preso e confessou o crime à polícia.
No mesmo dia, disse à polícia ter matado uma outra mulher, a empregada doméstica Genir Pereira de Sousa. Ela desapareceu no dia 2 de junho e o corpo foi encontrado dez dias depois, em uma região entre Planaltina e o Paranoá.
Um laudo da Polícia Civil apontou que Letícia Curado foi morta por esganamento e não sofreu violência sexual. Até esta quarta (18), a delegacia que investiga o caso não tinha informado a tipificação do crime.
Com a denúncia do Ministério Público, o DF passa a ter 21 casos de feminicídio em 2019.
