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Mortes levam até 42 dias para entrar no balanço do governo de MG

Tempo médio entre a data do óbito decorrente da Covid-19 e sua divulgação pela Secretaria de Estado de Saúde é de 5,2 dias

No dia 2 de abril, um paciente de 56 anos morreu na cidade de Governador Valadares, na região do Vale do Rio Doce, em decorrência da Covid-19. Mas sua morte só foi divulgada pelo governo de Minas 42 dias depois, no boletim epidemiológico da Secretaria de Estado de Saúde do dia 14 de maio.

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Este foi o óbito que mais tempo levou entre a notificação pelo município e a divulgação pelo governo estadual. Mas também há casos como o do paciente de 74 anos, morador de Poços de Caldas, que morreu no dia 13 de abril e só teve o óbito divulgado 26 dias depois.

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Ou a paciente de Belo Horizonte, com 85 anos, que morreu no dia 12 de abril e só constou no balanço oficial do governo 18 dias depois.

Segundo a própria Secretaria de Estado de Saúde, "como regra, a notificação dos óbitos devem ocorrer em até 24 horas" (veja mais abaixo). No entanto, o tempo médio entre a morte decorrente do novo coronavírus e sua divulgação pelo estado é de 5,2 dias, de acordo com levantamento feito pela reportagem do G1 desde a primeira morte registrada em Minas, no dia 28 de março deste ano.

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Alguns casos chamam a atenção, como o da técnica de enfermagem Maria Aparecida Andrade de 53 anos, de Contagem, que teve a morte confirmada pela prefeitura no dia 20 de abril, mas só entrou no boletim epidemiológico no dia 25 - mesmo com a confirmação de que tinha Covid-19 desde o dia 8 de abril.

Notificações em 24 horas

O G1 questionou a Secretaria de Estado de Saúde sobre a demora para divulgar as notificações feitas pelos municípios.

A pasta informou que "a notificação dos óbitos devem ocorrer em até 24 horas, de forma que seja possibilitado às Secretarias Municipais de Saúde executar as medidas cabíveis para resposta a cada caso".

Mas que, "por outro lado, no processo de centralização desses casos para publicação em Boletim Epidemiológico, há necessidade de um espaço maior de tempo, tendo em vista que a Secretaria de Estado de Saúde precisa receber todos os documentos necessários à confirmação dos óbitos".

O G1 questionou especificamente o que justificou demora de 42 dias para incluir a morte do paciente de Governador Valadares e 26 dias para divulgar o óbito do paciente de Poços de Caldas.

A pasta não respondeu sobre os dois episódios, mas disse que "em alguns casos pontuais, esse processo pode levar mais tempo que o usual para conclusão do caso, seja pela necessidade de documentação, seja por peculiaridades do caso que ensejaram maior tempo para a investigação".

Os passos de notificação

Em abril, o G1 questionou diversas vezes o secretário de Saúde, Carlos Eduardo Amaral, em suas entrevistas coletivas diárias, sobre a demora para divulgar os casos da doença no estado.

No dia 22 de abril, ele respondeu que não há demora, mas sim um "tratamento correto, adequado, zeloso e laborioso".

Na ocasião, ele também explicou os passos de notificação de cada caso notificado de síndrome respiratória aguda grave ou de Covid-19 no sistema de saúde do estado.

Primeira ação - orientar que todos os casos de síndrome gripal sejam notificados ao estado

Segunda ação - saber quais pacientes ou quais casos são focos de serem estudados nos nossos laboratórios. Todos os pacientes internados com suspeita de Covid são orientados a serem testados para o Covid, principalmente se forem grave

Terceira ação - acompanhar os pacientes que internam com sintomas de síndrome respiratória aguda grave, que também são casos de notificação obrigatória ao estado

Quarta ação - notificar os óbitos, que sempre são tratados na Vigilância Sanitária e eles são estudados para identificar quais são mesmo causados pelo novo coronavírus

No dia 27 de abril, ele disse que o tratamento dos dados é um processo e que não há atraso:

"A notificação chegando no estado, tratamos através da análise de banco de dados porque podemos ter casos de duplicidade. Passamos por análise do caso específico, em que muitas vezes questionamos sobre a evolução do caso, informes clínicos, se já tem exame... e fazemos uma interação com quem notificou. É mais um processo que está em andamento do que um atraso", detalhou Amaral.

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