Morre, aos 75 anos, o jornalista Roberto Godoy, especialista em defesa
Apaixonado pela profissão, jornalista Roberto Godoy trabalhou até o último dia e morreu de câncer, em Campinas (SP)

Em meados de 2013, o jornalista Roberto Godoy, o maior especialista em assuntos de Defesa da imprensa brasileira, realizava uma palestra para cerca de 30 jovens colegas de profissão, na sede do Estadão, na zona norte da capital paulista. O encontro duraria uma hora.
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Nos primeiros minutos, Godoy abordou assuntos militares, desfilou conhecimento e dividiu experiências de grandes coberturas com os “focas”, como são chamados os jornalistas recém-formados. Pouco depois, já decidiu abrir o microfone. Pega de surpresa, a plateia ficou em silêncio. Foi o próprio Godoy, bem-humorado, quem quebrou o gelo: “Nenhuma pergunta? Mas vocês são mesmo uns repórteres de merda”.
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O episódio acima é apenas uma amostra do espírito generoso, de quem sempre preferiu valorizar a troca com as outras pessoas, mas que também não abre mão de questionar o que deve ser questionado. Para o “foca” ou para o general. Um bom repórter deve, sobretudo, saber perguntar. Isso Godoy não só sabia. Godoy ensinava.
Roberto Godoy morreu, aos 75 anos, nesta sexta-feira (29), vítima de um câncer que tratava nos últimos meses. Apaixonado pela profissão e vencedor dos prêmios mais importantes da área, ele trabalhou até o último dia.


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Carreira
Godoy começou a trabalhar no Correio Popular, em Campinas, no interior paulista, a sua cidade natal. No final da década de 1970, já no Estadão, o jornalista começou a cobrir assuntos relacionados à segurança – área pela qual se notabilizou.
Era profundo conhecedor de geopolítica e de história das guerras. Capaz até de citar especificações técnicas, também era referência em informações sobre armas e tecnologias usadas por forças militares do Brasil e do mundo.
Com faro para notícias e textos impecáveis, venceu três prêmios consecutivos do Centro das Indústrias (Ciesp Campinas). Levou, ainda, o prêmio Esso, o maior do jornalismo brasileiro, pela reportagem “Nasce o primeiro computador da América Latina”, publicada na fase mais dura da ditadura militar.
Atualmente, participava do programa semanal “Estado de Alerta com Roberto Godoy”, da Rádio Eldorado.
Jornalista apaixonado
Na redação, Godoy era reconhecido pela simpatia e pelo raciocínio afiado. Acessível e incapaz de assumir um tom professoral, costumava chamar os jornalistas mais novos para bater papo e tomar cafezinho à tarde. “Companheiro”, era como sempre se referia aos colegas, embora fizesse questão de saber o nome de todos.
Tinha o costume de dar dicas de pauta e ajudar os menos experientes em apurações mais espinhosas. Comemorava cada publicação. “Generoso de sua parte dividir o crédito comigo. Uma honra!”, escreveu, certa vez, quando teve o nome assinado em uma matéria rotineira.
Na quinta-feira (28), véspera da sua morte, comentou no rádio sobre o interesse do presidente venezuelano Nicolás Maduro na Guiana e sobre o lançamento do submarino Tonelero (S-24), feito pelos presidentes Lula e Emanuel Macron.
