Menina da Paraíba trocou a festa de 15 anos por um notebook, estudou pela internet e conquistou ouro na maior olimpíada de matemática das escolas públicas do Brasil
Miriam Adrielly transformou uma decisão simples em uma trajetória marcada por medalhas na OBMEP

13/07/2026 às 18:54 • Atualizada em 13/07/2026 às 19:08 - há XX semanas
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Ao abrir mão da tradicional comemoração de aniversário para investir nos estudos, Miriam Adrielly transformou uma decisão simples em uma trajetória marcada por medalhas na OBMEP, a maior competição de matemática da rede pública do país.
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Quando os pais perguntaram como ela gostaria de comemorar os 15 anos, a resposta não envolvia salão de festas, vestido ou viagem. Miriam Adrielly Silva de Brito queria apenas um notebook e um curso online.
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O pedido surpreendeu a família. Mas, para a adolescente de Conceição, no Sertão da Paraíba, aquele presente tinha um objetivo muito claro: estudar melhor para a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP).
Alguns anos depois, a escolha feita naquele aniversário colocaria seu nome entre os medalhistas de ouro da maior competição de matemática da rede pública brasileira.


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Uma escolha que mudou a própria história
Miriam completou 15 anos em 21 de setembro de 2022. Segundo o Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), responsável pela OBMEP, os pais perguntaram se ela preferia uma festa ou uma viagem. Ela recusou as duas opções.
Em vez disso, pediu um notebook e acesso a um curso preparatório pela internet.
Mesmo assim, a família não deixou a data passar em branco. Organizou uma pequena comemoração para cerca de 15 parentes. O tema da festa não foi uma personagem famosa nem uma decoração tradicional. O bolo homenageava justamente a OBMEP, símbolo do sonho que a estudante havia escolhido perseguir.
A decisão parecia simples. Mas marcava o início de uma nova fase.
Quando a matemática deixou de ser apenas uma disciplina
Antes daquele aniversário, Miriam já havia dado sinais de talento.
Ela recebeu uma menção honrosa na 16ª edição da OBMEP e percebeu que poderia ir mais longe.
Em entrevista ao IMPA, contou que, quando chegou à segunda fase da olimpíada pela primeira vez, ainda nem conhecia a dimensão da competição. A partir daquele resultado, decidiu mudar a forma como estudava.
O notebook virou ferramenta diária.
O curso online passou a orientar a preparação.
Ela começou a resolver provas antigas, estudar exercícios específicos e dedicar horas à matemática. Não havia fórmula mágica. Havia repetição, disciplina, erros e aprendizado constante.
O presente abriu caminho, mas o esforço fez a diferença
Para milhares de estudantes da rede pública, disputar uma olimpíada científica envolve desafios que vão além do conteúdo.
É preciso acesso à internet, materiais de estudo, orientação e tempo para se preparar.
No caso de Miriam, o notebook representou justamente essa oportunidade.
Ele não conquistou medalhas por ela. Mas permitiu que a estudante tivesse acesso aos recursos que antes estavam distantes.
O aniversário deixou de ser apenas uma comemoração e se transformou em um investimento no futuro.
A primeira medalha chegou
O resultado apareceu na 17ª edição da OBMEP.
Miriam conquistou a medalha de bronze.
Naquele ano, a competição reuniu cerca de 18,1 milhões de estudantes na primeira fase, segundo o IMPA. Ao todo, mais de 54 mil escolas participaram da olimpíada, presente em praticamente todos os municípios brasileiros.
O número ajuda a dimensionar a conquista.
Para uma estudante de escola pública do interior da Paraíba, aparecer entre os medalhistas nacionais significava muito mais do que receber um certificado. Era a confirmação de que a escolha feita aos 15 anos estava produzindo resultados.
A história não terminou no bronze
A medalha de bronze foi apenas o começo.
Na 18ª edição da OBMEP, já como aluna da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Maestro José Siqueira, em Conceição, Miriam conquistou a medalha de prata.
No ano seguinte, repetiu o desempenho e voltou a subir ao pódio nacional com outra medalha de prata.
A evolução constante preparava o capítulo mais importante da trajetória.
O ouro veio depois de anos de preparação
Na 20ª edição da OBMEP, realizada em 2025, Miriam Adrielly Silva de Brito conquistou a medalha de ouro na categoria destinada aos estudantes de escolas públicas.
A sequência impressiona.
Primeiro veio a menção honrosa.
Depois, o bronze.
Em seguida, duas medalhas de prata.
Até chegar ao ouro.
Mais do que uma conquista isolada, a trajetória mostra uma evolução construída ao longo de vários anos.
Uma escolha simples revelou uma oportunidade maior
A história de Miriam chama atenção porque começa com uma decisão comum na vida de muitas famílias: como comemorar os 15 anos de uma filha.
O desfecho, porém, vai muito além do aniversário.
Ao trocar a festa por um notebook e um curso preparatório, a estudante encontrou uma oportunidade de ampliar o acesso ao conhecimento e transformar dedicação em resultados concretos.
O caso também mostra o impacto que incentivo familiar, acesso à tecnologia e oportunidades educacionais podem ter na vida de estudantes da rede pública.
Um aniversário que continua fazendo diferença
A festa de 15 anos nunca aconteceu da forma tradicional.
Mas a escolha feita naquele dia continua produzindo resultados.
O notebook abriu portas, o estudo fez o restante do caminho e a estudante do interior da Paraíba transformou uma decisão tomada ainda na adolescência em uma trajetória marcada por menção honrosa, bronze, duas pratas e, finalmente, o ouro na maior olimpíada de matemática das escolas públicas do Brasil