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'Me sinto de alma lavada', diz pai de João Alberto sobre a repercussão da morte

Para João Batista Rodrigues Freitas, a morte de João Alberto trouxe debates válidos em relação ao movimento negro.

O pai de João Alberto Silveira de Freitas, espancado e morto por dois seguranças em um supermercado de Porto Alegre, se sente de 'alma lavada' em relação a repercussão da morte do filho, na última quinta-feira (19).

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"Eu posso te dizer que me sinto de alma lavada, porque não imaginei que fosse ter uma repercussão tão grande assim. Mas se é em favor da sociedade é bem-vindo", disse João Batista Rodrigues Freitas à reportagem da RBS TV, durante o velório do filho, na manhã deste sábado (21), na Zona Norte da Capital gaúcha.

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Para ele, o movimento negro contra o racismo é válido.

"Eu gostaria que isso não tivesse acontecido com o meu filho, mas quanto ao movimento negro, acho que todo movimento assim é valido. Porque esse tipo de sentimento assim tem que ser banido da sociedade. E só com muita educação a gente vai superar esse momento. Então um momento como esse é sublime pra isso."

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Repercussão

A morte de João Alberto repercutiu entre autoridades e virou um dos assuntos mais comentados da rede social Twitter na sexta-feira (20).

Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, disse que houve "excesso de violência". Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que "o bárbaro homicídio praticado no Carrefour escancara a obrigação de sermos implacáveis no combate ao racismo estrutural". Sem citar a raça da vítima, Damares Alves, ministra da Mulher, Fami?lia e Direitos Humanos, disse que "a vida de mais um brasileiro foi brutalmente ceifada no estacionamento de um supermercado."

Jornais estrangeiros, como o Washington Post, dos Estados Unidos, e o El País, da Espanha, também falaram sobre o assunto.

O jornal americano destacou a brutalidade dos seguranças ao dizer que Freitas foi "selvagemente espancado". A publicação também mostrou os protestos ocorridos por todo o país e relembrou os atos que tomaram os Estados Unidos após a morte de George Floyd, em maio.

Na reportagem do jornal espanhol, Porto Alegre é citada como "uma cidade do Brasil mais branco". O veículo menciona que o assassinato ocorreu em meio à campanha das eleições municipais. O 'El País' também relembrou a fala do vice-presidente Hamilton Mourão de que "não existe racismo no Brasil".

O crime

João Alberto foi morto por dois seguranças do supermercado Carrefour na noite de quinta-feira (19). Segundo a polícia, a vítima teria feito um gesto para uma funcionária do mercado, o que a fez chamar a segurança do local.

Beto, como era conhecido, foi acompanhado pelos dois homens ao estacionamento da unidade. De acordo com a polícia, ele teria dado um soco em um dos seguranças, quando começaram as agressões. A vítima foi agredida por cerca de 5 minutos pelos dois homens.

O Samu foi acionado, mas ele morreu no local. Os dois homens foram presos em flagrante e devem responder por homicídio triplamente qualificado.

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