Luciano Hang é excluído de jantar de Bolsonaro com empresários

Evento reuniu ministros do governo e empresários, em São Paulo, na noite da última quarta-feira (7/4)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) reuniu ministros e nove dos 65 bilionários brasileiros em um jantar, em São Paulo, na última quarta-feira (7/4). Luciano Hang, que estava na pré-lista, foi excluído dos convidados oficiais. O proprietário da Havan é um grande apoiador do chefe do Executivo.

A ideia, segundo publicado pela jornalista Mônica Bergamo, era evitar a presença da ala mais radical do empresariado. Outras duas pessoas foram vetadas da lista, pois estariam viajando na data do encontro. O fato de nenhuma das nove mulheres milionárias brasileiras terem sido convidadas chamou a atenção.

Debate com empresários

No evento, a discussão ficou centrada nos temas da vacinação em massa contra a Covid-19 e em avanços na agenda econômica por meio de privatizações. “O alinhamento é total [entre governo e empresários]. Todos sabem os esforços que estamos fazendo”, disse Faria, ministro das Comunicações.

Além de Faria, os ministros da Economia, Paulo Guedes, da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, e da Saúde, Marcelo Queiroga, participaram do jantar. O encontro foi promovido por Washington Cinel, proprietário da empresa de segurança Gocil, em sua mansão nos Jardins, região central da capital.

Manifestação contra Bolsonaro

Antes da reunião com os dirigentes de empresas, houve manifestação contra o presidente Bolsonaro. A arquiteta Flávia Rudge Ramos, 57 anos, levantou um cartaz com a seguinte mensagem: “Fora presidente de cemitério”.

Ao Metrópoles, ela explicou por que protestou sozinha contra o mandatário do país. “Eu estou vendo essa tragédia sem precedentes que a gente está vivendo, e a responsabilidade é dele. Não comprou vacina, corta verba do SUS. Ele é perverso, o povo tem que se revoltar, ele tem de sofrer impeachment”, assinalou.

Flávia acredita que a condução do governo federal no combate à pandemia tem deixado a desejar. A arquiteta cita, por exemplo, o desabastecimento de oxigênio em Manaus, que sofreu colapso na saúde pública em janeiro deste ano, quando Eduardo Pazuello ainda era ministro da Saúde.

“E o Bolsonaro ainda continua defendendo remédios sem comprovação científica e persegue governadores que decretam lockdown”, complementou. Para Flávia, o encontro da noite favorece interesses privados, e não públicos.