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Justiça condena guarda de BH por dizer que "preto bom é preto morto"

Servidor foi condenado por frase racista durante seminário da Prefeitura de BH; decisão reconhece ofensa à coletividade


				Justiça condena guarda de BH por dizer que "preto bom é preto morto"

Belo Horizonte – Oito anos após a denúncia, a Justiça de Minas Gerais condenou um guarda municipal de Belo Horizonte pelo crime de racismo. A sentença reconheceu que a frase “preto bom é preto morto”, proferida durante um seminário promovido pela Prefeitura de Belo Horizonte, configura discriminação racial nos termos da Lei nº 7.716/1989.

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O episódio ocorreu em novembro de 2018, durante um seminário sobre segurança pública, racismo e prevenção da letalidade de jovens negros. Na ocasião, a jornalista, pesquisadora e especialista em relações raciais Etiene Martins, então gerente de Prevenção à Criminalidade e Letalidade Juvenil da Prefeitura de Belo Horizonte, denunciou ter sido vítima da violência racial praticada pelo guarda municipal Luzardo Paulo da Cruz Damascena.

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Na sentença, o magistrado concluiu que a autoria e a materialidade do crime ficaram comprovadas, afastando o argumento da defesa de que a declaração teria sido uma brincadeira ou estaria fora de contexto. O juiz destacou que o crime de racismo não atinge apenas a vítima direta, mas toda a coletividade negra, por violar a igualdade racial e a dignidade humana.

A condenação vem após uma tramitação judicial iniciada em 2019, após denúncia apresentada pelo Ministério Público de Minas Gerais. Durante o processo, a acusação chegou a ser rejeitada em primeira instância, mas o Tribunal de Justiça de Minas Gerais determinou o recebimento da denúncia, permitindo o prosseguimento da ação penal até a condenação.

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Para Etiene Martins, a decisão representa um marco na responsabilização criminal por crimes de racismo.

“Esta condenação não repara os danos que sofri ao longo desses anos, mas estabelece algo fundamental: o racismo tem consequências. Durante muito tempo tentaram inverter a lógica dos fatos, como se denunciar o racismo fosse mais grave do que praticá-lo”, e completa:

“Hoje, a Justiça reafirma que denunciar uma violência racial é um ato de cidadania”

Ela destaca que a condenação também produz efeitos concretos para o condenado. “A pessoa deixa de ser réu primário e perde benefícios previstos para quem nunca foi condenado criminalmente. Isso demonstra que o crime foi tratado como deve ser tratado pela Justiça”, disse.

Segundo Etiene, a decisão também busca incentivar outras vítimas a romperem o silêncio. “Durante muito tempo fiquei paralisada diante da violência que sofri. Procurei meus superiores, levei o caso à Corregedoria, mas fui informada de que não havia dolo. A falta de providências dentro da instituição me motivou a registrar a ocorrência na Polícia Civil. Foi esse caminho que levou à condenação”, relembrou.

Apesar da vitória na esfera criminal, Etiene afirma que a busca por reparação continua. A jornalista e professora da Universidade Federal do rio de Janeiro (UFRJ), informou que ingressará com uma ação na esfera cível para pleitear indenização pelos danos morais e materiais decorrentes da violência sofrida no ambiente de trabalho.

Confira a matéria completa em Metrópoles.com

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