Ibama analisa plano de recuperação de áreas devastadas por lama
Documento preliminar traz mapas e fotografias de locais entre MG e ES. Diques e plantio estão entre as ações da Samarco para controlar vazamento
O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) começou a analisar, nesta terça-feira (19), o plano de recuperação das áreas devastadas pelo rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais. O Jornal Hoje teve acesso, em primeira mão, ao documento entregue pela mineradora Samarco.
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São 80 páginas, que reúnem mapas e fotografias de locais atingidos pela lama entre os estados de Minas Gerais e do Espírito Santo. As primeiras soluções apresentadas pela Samarco, cujas donas são a Vale e a anglo-australiana BHP Billiton, são para controlar o vazamento de lama.
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A barragem de Fundão se rompeu no dia 5 de novembro do ano passado. Um "mar de lama" foi despejado e, mais dois meses depois, o cenário de desolação ainda pode ser visto em localidades de Mariana, como Paracatu de Baixo. Dezessete pessoas morreram e outras duas são consideradas desaparecidas.
No plano apresentado pela mineradora, fotos mostram que a empresa está construindo diques filtrantes entre barragens e o distrito de Bento Rodrigues, em Mariana. Os diques formam barreiras onde o rejeito de minério se deposita e fica retido. A ideia é permitir que passe apenas a água da chuva. A Samarco também está fazendo obras para tentar acabar com uma erosão dentro da Barragem de Fundão e segurar os 20 milhões de metros cúbicos de rejeito que ainda estão lá.


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Ainda segundo o documento, a empresa plantou 200 hectares com sementes de leguminosas e grama, que estão crescendo e ajudam a segurar os rejeitos. "A gente tinha uma dúvida muito grande se seria efetivo qualquer plantio em cima de verdadeiras pilhas ou praias de rejeito e nós estamos tendo aí uma grata surpresa já com áreas germinadas, com plantas já com algum tamanho e com raízes de até um palmo", disse o superintendente do Ibama, Marcelo Belisário.
O Ibama criou um grupo para estudar o plano feito pela Samarco. Não foi informado um prazo para concluir a análise. Quinze técnicos especialistas em águas, solo, fauna e flora vão se encontrar na tarde desta terça-feira (19) para analisar o documento e concluir se as soluções apresentadas estão dentro dos critérios de recuperação ambiental.
Para o Ibama, o documento não está completo. "Nós basicamente folheamos o documento e constatamos que se trata de um documento preliminar que visa mais as ações iniciais e controlar as fontes de liberação de sedimento, que estão em curso até hoje", disse Belisário.
Segundo a Samarco, o plano entregue ao Ibama é parte de um plano maior, que envolve a comunidade, o meio ambiente e todas as atividades das áreas afetadas. O plano é considerado adaptativo, ou seja, segundo a mineradora, as próximas decisões vão ser baseadas nos resultados das atividades que estão sendo implementadas agora.
