Homem é preso no terceiro dia de operação do Exército na Rocinha
Emanuel Bezerra de Araújo tinha um mandado de prisão em aberto, segundo a polícia, e carregava uma arma de brinquedo
No terceiro dia de operação conjunta das forças federais e das policiais estaduais, um homem foi preso e um fuzil apreendido na Rocinha. PMs também apreenderam frascos de lança-perfume na comunidade. De acordo com as polícias Civil e Militar, não foram registradas trocas de tiros desde a noite de sábado, dia que terminou com 9 presos, 18 fuzis apreendidos, três mortos e um adolescente vítima de bala perdida.
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Por volta de 14h, Emanuel Bezerra de Araújo foi preso e levado à 11ª DP (Rocinha). Ele tinha dois mandados de prisão em aberto, segundo a polícia, e carregava um simulacro de pistola.
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Já na área de mata, em cima da garagem de ônibus, policiais do setor de inteligência do 23ºBPM (Leblon) em conjunto com policiais da UPP Rocinha, apreenderam um fuzil AK-47.
Durante patrulhamento pela manhã, policiais militares também apreenderam frascos de lança-perfume na Rocinha.


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Apesar da madrugada de aparente tranquilidade, a primeira em uma semana, segundo moradores, o clima na comunidade, no entanto, segue de tenso. A polícia crê que o traficante Rogério Avelino da Silva, conhecido como Rogério 157, conseguiu voltar para o morro, onde está escondido. Ele é apontado como pivô da guerra entre criminosos iniciada há uma semana.
Em entrevista à GloboNews na manhã deste domingo, um morador da Rocinha disse que a madrugada foi de "paz" na comunidade. "Tranquilo. [Estou] trabalhando, graças a Deus. Fazer o quê? Tem de sair, né?", disse ao comentar que foi possível sair de casa normalmente
Já quando questionado sobre os últimos dias, ele afirmou que havia um clima de guerra por lá.
"Guerra. É igual ao Iraque, igual à síria. Só guerra, mais nada. O Rio de Janeiro pede paz", relatou o morador.
O sábado (23), segundo dia da operação conjunta entre as polícias do estado e as tropas federais, foi marcado por diversos tiroteios, dentro e fora da Rocinha. Uma das ações mais críticas ocorreu durante a tarde, quando criminosos que fugiam pela mata da Floresta da Tijuca entraram em confronto com policiais no Alto da Boa Vista e na Usina. Três foram mortos e quatro foram presos. Um adolescente de 13 anos levou dois tiros, mas não corre risco de morrer.
Desde que entraram na favela, policiais e militares causaram um prejuízo de R$ 1 milhão aos traficantes. É o que estimou o delegado Antonio Ricardo, titular da 11ª DP (Rocinha).
"Esse foi o resultado desse cerco maior, mais restrito, com mais pontos de interceptação e maior número de equipes de busca", avaliou o secretário de Segurança Pública do estado, Roberto Sá, em coletiva de imprensa no fim da manhã de sábado.
Sá destacou que desde o início do trabalho das Forças Armadas em conjunto com as polícias do estado "houve uma estabilidade que está sendo mantida" na comunidade. Na mesma coletiva, o comandante da 1ª Divisão do Exército, general Mauro Sinott, avaliou que foi feito "um trabalho muito bom, com bom rendimento e com excelente integração".
Os representantes da segurança afirmaram que as ações na favela serão realizadas por tempo indeterminado e pediram ajuda de moradores para achar os criminosos, que teriam fugido para a floresta.
"A comunidade é que detém essa oportunidade de contribuir para que esse trabalho se perpetue no tempo. Eles [os moradores] são as pessoas que podem nos ajudar a limpar por um longo tempo a comunidade", declarou o general Mauro Sinott, comandante da 1ª Divisão de Exército.
A contribuição principal dos moradores, segundo Sinott, é a denúncia às forças de segurança sobre a atuação de criminosos. "Eu não posso retirar o medo das pessoas [de denunciarem]", ressaltou o general.
Sinott afirmou ainda que, por enquanto, será mantido o efetivo de 950 homens do Exército na operação. "Os resultados positivos desta madrugada indicam que nosso trabalho está sendo proveitoso e que, por isso, deve ser mantido", afirmou. "Nós não temos um prazo para sair. Estamos tendo um bom rendimento das operações".
Prisão de chefe do tráfico do Caju
Entre os presos no sábado está o traficante Luís Alberto Santos de Moura, conhecido como Bob do Caju. Foragido desde o ano passado, ele foi capturado na Ilha do Governador e, ato contínuo à prisão dele, os policiais apreenderam dez fuzis no Caju, em ações coordenadas.
O delegado Marcelo Martins, chefe do Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE), afirmou que há indícios suficientes para apontar participação "direta ou indireta" de Bob do Caju na invasão da Rocinha. Isso porque o grupo que ele comanda pertence à mesma facção criminosa do traficante Nem, de quem teria partido a ordem de invasão.
Segundo a polícia, Nem quer retomar o território que foi dominado por Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, dissidente de sua facção.
"As investigações continuam, com o objetivo de saber se esse armamento seria empregado na Rocinha e se foi empregado no último domingo [na invasão criminosa à comunidade] pelo grupo liderado pelo preso", destacou o delegado Maurício Mendonça, chefe da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) da Polícia Civil.
Buscas por Rogério 157
Um dos principais objetivos da cúpula de segurança do Rio de Janeiro neste momento é capturar o traficante Rogério 157. O grupo dele e o de Antônio Bonfim Lopes, o Nem, disputam o controle do tráfico de drogas da comunidade. O traficante Nem está preso em Porto Velho (RO), mas mantém o poder de parte da quadrilha. O rival tenta expulsar de vez seu antigo comparsa da favela.
O Disque Denúncia aumentou de R$ 30 para R$ 50 mil o valor da recompensa a quem repassar informações que ajudem a localizar e prender 157. As investigações da Polícia Civil apontou que ele havia deixado a Rocinha durante os confrontos, mas teria conseguido voltar à comunidade na madrugada deste sábado.
Segundo o delegado titular da 11ª DP (Rocinha), que comanda as investigações, os relatos de um taxista que foi rendido e escapou de criminosos reforçam as informações obtidas pelos investigadores.
O taxista passava pela Rua Jardim Botânico quando bandidos entraram no carro e falaram para que seguisse até o Horto. Chegando lá, eles saíram e quatro bandidos armados embarcaram no táxi e o obrigaram a ir até a Rocinha. Um deles era Rogério 157, acredita a polícia.
"Eles davam [a ele] o nome de pai. Tava no táxi comigo, ao meu lado, sentou ao meu lado. Passamos por duas barreiras. Ele só disse que não ia abandonar, porque ele era cria do morro", disse o taxista.
Quando chegou próximo à favela, o motorista viu os militares e policiais, parou o carro e se jogou no chão. Os criminosos trocaram tiros com os policiais, mas conseguiram fugir.
"É um relato verídico e bate com nossa investigação. Ele [Rogério 157] retornou para a favela. Ele não quer perder o controle da comunidade (...) Ele está sufocado. Então ele vai para a mata para a favela. A prisão dele pode acontecer a qualquer momento", declarou o delegado.
