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Ford suspende temporariamente contrato de 1,8 mil funcionários na BA

Grupo vai ficar afastado por cinco meses a partir do dia 14 de março. Sistema 'layoff' foi adotado por causa do fechamento do turno da noite

A Ford vai suspender temporariamente o contrato de 1.800 trabalhadores da fábrica de Camaçari, região metropolitana de Salvador. O grupo vai ficar afastado por cinco meses, a partir do dia 14 de março, por causa do fim do terceiro turno de trabalho na fábrica. De acordo o presidente do sindicato, Júlio Bonfim, a medida é para evitar demissões na montadora.

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Esta é a primeira vez que esse sistema, chamado de 'layoff', é adotado em uma empresa no estado. Nesse período, os trabalhadores recebem parte dos salários pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e precisam frequentar cursos de requalificação profissional indicados pela própria empresa.

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De acordo com Julio Bonfim, vão ser 600 trabalhadores por turno, dando um total de 1,8 mil. "Pode ser até menos do que isso, pois o Programa de Demissão Voluntária está aberto e alguns operários podem pedir para sair", diz o presidente.

Em nota, a Ford disse que utiliza todas as ferramentas possíveis para tratar do excedente da força de trabalho decorrente do fechamento do turno da noite da unidade de Camaçari. Segundo o comunicado, a empresa está implementando a suspensão temporária do contrato de trabalho (layoff) e irá manter o Programa de Demissão Voluntária. A Ford ainda informou que os detalhes sobre as ações serão comunicados posteriormente.

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Inaugurada em outubro de 2001, a fábrica reúne a Ford e 23 parceiros, que fornecem sistemas para os veículos diretamente na linha de montagem. Nela são produzidos veículos como o Ka, nas versões hatch e sedan, um dos carros mais vendidos do Brasil, e o EcoSport.

Encerramento de turno
A fábrica anunciou em novembro de 2015 que iria encerrar a produção do turno da noite a partir de março deste ano. Na época, a empresa informou que a medida ocorreu ""em função da significativa desaceleração do mercado automotivo e da decorrente queda no volume de produção" na unidade.

"A gente [sindicato] vem mantendo emprego porque é a única montadora que está ameaçando ter demissões. No final de 2015, a empresa anunciou a suspensão do terceiro turno e nós afirmamos que tinha como fazer isso sem demissões. Após reuniões, conseguimos fazer com que o Programa de Demissão Voluntária fosse aprovado e já tivemos 347 pessoas, de 10 mil trabalhadores, que pediram para sair", disse Julio Bonfim.

Segundo ele, as férias coletivas que foram dadas em fevereiro também foram para evitar demissões. Cerca de oito mil trabalhadores operacionais estão parados e só retornam em março deste ano. "Além disso, houve a discussão a respeito do layoff, na primeira sexta-feira de fevereiro, dia 5, quando sentamos e negociamos esse sistema, dando ao trabalhador o pagamento do valor líquido do salário dele, que vai receber do FAT uma parte e o restante da Ford", afirma Bonfim.

De acordo com o presidente do sindicato, o 'layoff' garante o salário do operário até agosto de 2016, quando pode ser renovado para até janeiro de 2017. Julio Bonfim ainda disse que, caso a economia não seja aquecida até esse período, o sindicato vai tentar estender o benefício por mais um ano.

"A Ford disse que não vai demitir ninguém. Esses trabalhadores que vão entrar em 'layoff' voltam, no máximo, em 2017. Ou, a partir desse período, vamos discutir de novo. Estamos criando mecanismos para garantir empregos por dois anos. O de 2016 está certo e, caso a economia não melhore, vamos lutar para garantir o ano de 2017", conclui Bonfim.

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