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Exame de sangue poderá detectar Alzheimer com antecedência, diz estudo

Pesquisadores do Instituto Karolinska, na Suécia, identificaram um novo biomarcador do Alzheimer, presente no plasma sanguíneo

Imagine poder saber com anos de antecedência se você corre o risco de desenvolver uma doença, aumentando as possibilidades de tratamento. Um estudo feito por cientistas de instituições europeias sugere que um simples exame de sangue poderia confirmar, no futuro, o diagnóstico de uma forma rara de Alzheimer com antecedência.

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O Alzheimer predominantemente hereditário (ADAD, na sigla em inglês) é caracterizado pela presença de mutações em um gene específico. Seus sintomas se desenvolvem significativamente mais cedo em comparação com outras formas da doença, que são geralmente associadas a idosos.

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O teste genético é uma das estratégias de diagnóstico indicadas quando um dos pais de uma criança tem a doença. No entanto, é um método caro e de difícil acesso.

O estudo, publicado na revista científica Brain na última quinta-feira (11/1), mostra que os casos de início precoce da doença estão associados ao aumento dos níveis de um biomarcador no plasma sanguíneo, a proteína ácida fibrilar glial (GFAP). A descoberta sugere que um exame de sangue poderia identificá-la e antecipar o tratamento do paciente.

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Os pesquisadores do Instituto Karolinska, na Suécia, acompanharam 33 portadores de mutações genéticas em risco de ADAD entre de 1994 a 2018. Eles observaram a presença de três potenciais biomarcadores da doença: tau fosforilada no plasma (P-tau181), cadeia leve de neurofilamento (NfL) e proteína ácida fibrilar glial (GFAP). Este último foi o que mais chamou a atenção deles.

Alterações no GFAP foram observadas no plasma sanguíneo dos pacientes aproximadamente dez anos antes de eles apresentarem os primeiros sintomas da doença e muito antes do P-tau181 ou NfL.

A GFAP é um tipo de proteína para o neurônio astrócito, que libera moléculas pró-inflamatórias quando encontra placas beta-amilóides (Aß) no cérebro, associadas ao acometimento da doença. As proteínas beta-amilóides, por sua vez, são conhecidas como um marcador importante para algumas formas do Alzheimer.

A suspeita é de que o GFAP possa ser um indicador que aparece ainda mais cedo em alguns casos e até mesmo seja responsável por ativar a atividade dos astrócitos, levando a mais placas Aß.

Os pesquisadores acreditam que, no futuro, o GFAP possa ser usado como um biomarcador não invasivo para a ativação precoce de células imunes, como astrócitos, no sistema nervoso central. “Isso pode ser valioso para o desenvolvimento de novos medicamentos e para o diagnóstico de doenças cognitivas”, acreditam.

“Nossos resultados sugerem que o GFAP, um biomarcador presumido para células imunes ativadas no cérebro, reflete mudanças no cérebro devido à doença de Alzheimer que ocorrem antes do acúmulo de proteína tau e dano neuronal mensurável”, disse a neurobióloga Charlotte Johansson, principal autora do estudo.

O grupo de pesquisa afirma que estudos com um volume maior de participantes precisam ser feitos para comprovar a relação entre a presença do biomarcador e o risco de desenvolvimento da doença.

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