Estudo recria cérebro de dinossauro que viveu no Brasil há 230 milhões anos
Antecessor de gigantes herbívoros, Saturnalia tupiniquim tinha porte de lobo e cérebro de predador, segundo pesquisadores
Um dinossauro do porte de um lobo, com agilidade e comportamento de um predador, que pode ter habitado o Brasil e a Argentina há mais de 230 milhões de anos, foi o foco de um estudo recentemente publicado na Nature Scientific Reports, uma das principais revistas científicas do Reino Unido.
Tudo em um só lugar.
Receba notícias da GazetaWeb no seu WhatsApp e fique por dentro de tudo!

Com uma microtomografia computadorizada de um fóssil encontrado há 20 anos no Rio Grande do Sul, pesquisadores da USP de Ribeirão Preto e da Universidade Ludwig-Maximilians, de Munique, recriaram o cérebro de um ancestral dos saurópodes, gigantes herbívoros de até 40 metros de altura e 90 toneladas, conhecidos como os maiores dinossauros a habitarem a Terra no período Cretáceo.
Leia também
Diferente destes, o Saturnalia tupiniquim tinha mais desenvolvidas determinadas regiões do cérebro importantes para a caça, o que corroborou evidências anteriores levantadas com a composição de seus dentes.
"Essa área do cerebelo está ligada à coordenação de movimentos da cabeça, do pescoço e também dão a possibilidade de o animal predador manter o foco em sua presa", afirma Mario Bronzati Filho, um dos pesquisadores que assinam o estudo.


Jovem é encontrado morto em terreno baldio no bairro Cleto Marques

Defensoria cobra solução para atrasos na coleta de lixo em Maceió

Operação prende 9 suspeitos e influenciador PTK em Alagoas

Enem 2026: Inscrições encerram nessa sexta-feira

Cérebro recriado
O fóssil que deu origem à descoberta foi encontrado em Santa Maria (RS) em 1998.
"Na época eu estava começando meu doutorado e a gente foi pra campo. Encontramos três esqueletos do que era na época uma espécie desconhecida. Posteriormente a gente conseguiu descrever, dando nome ao animal, mas muita coisa ainda ficou para ser estudada, uma delas eram os ossos cranianos", afirma o paleontólogo Max Lunger, da USP de Ribeirão Preto.
Na recente pesquisa, um microtomógrafo computadorizado foi capaz de preencher os espaços vazios. Com isso, os pesquisadores conseguiram reconstituir, de maneira virtual, o cérebro do Saturnalia tupiniquim.
De acordo com os estudiosos, esse é o animal mais antigo que teve o cérebro reconstituído. A maior parte da anatomia do dinossauro já era conhecida pelos cientistas.

"Esse procedimento é igual a um que a gente faz, o tomógrafo, tem mais resolução, consegue pegar mais detalhes, a gente coloca o fóssil, que era parte do crânio nesse tomografa e com isso a gente consegue ter acesso em 3D a toda estrutura interna do fóssil e da rocha onde o fóssil está preservado", diz Bronzati Filho, que conduziu o estudo no laboratório da universidade alemã.
O trabalho mostrou que o ancestral dos saurópodes, com aproximadamente 10 quilos e 1,5 metro de comprimento, tinha determinadas estruturas do cerebelo - chamadas flóculo e paraflóculo - bem mais desenvolvidas do que os grandes herbívoros que o sucederam na cadeia evolutiva.
Regiões estas que, dentro dos estudos neurológicos e no comparativo com animais modernos, estão associados à capacidade de controlar movimentos voluntários da cabeça e do pescoço, além de estabilizar a visão.
"A gente viu que o Saturnalia tinha todos esses mecanismos neurológicos, tinha essa área do cérebro desenvolvida. São habilidades que um predador precisa, que é ter reflexo rápido, movimento de cabeça e pescoço, para poder capturar presas pequenas. E os saurópodos não possuem essa estrutura, eles são animais herbívoros", explica.
A descoberta muda a concepção anterior de que toda a linhagem de saurópodes se alimentava apenas de plantas e dá subsídios para novos campos de pesquisa sobre a evolução dessas espécies, que deixaram de existir há 65 milhões de anos.
"A dentição dele já nos indicava que provavelmente ele se alimentava também de animais e isso ficou de certa forma comprovado pelo estudo do cérebro dele", diz Lunger.

