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Chuva causa mortes, deslizamento de barreiras e alagamentos no Recife

Duas mortes foram registradas em Olinda, três no Recife e três em Abreu e Lima, pelo Corpo de Bombeiros

Oito pessoas morreram em razão das chuvas que atingem a Região Metropolitana do Recife (RMR) desde a madrugada desta quarta-feira (24), segundo o Corpo de Bombeiros. O temporal também derrubou barreiras e árvores e causa diversos pontos de alagamento, que dificultam a circulação dos ônibus. Em algumas cidades da RMR, aulas da rede municipal foram canceladas.

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Duas mortes registradas pelos Bombeiros ocorreram na Estrada do Passarinho, no trecho do Recife, e uma no bairro de Dois Unidos, também na capital pernambucana. Outras duas mortes foram confirmadas em Águas Compridas, em Olinda. Houve, ainda, três mortes registradas em Caetés, em Abreu e Lima.

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Na Estrada do Passarinho, as vítimas de um deslizamento de barreira são Natalicio Vicente da Silva, de 69 anos, Ivonete Maria da Silva, de 63. Uma das vítimas de outro deslizamento em Abreu e Lima, segundo os Bombeiros, é uma jovem de 19 anos. A mãe dela, de 39 anos, foi retirada dos escombros e levada ao Hospital Miguel Arraes, em Paulista.

Ainda em Abreu e Lima, o Corpo de Bombeiros registrou a morte de um adolescente de 15 anos e de um homem de 50 anos. Equipes fazem buscas para localizar um outro homem, de idade não informada, e uma gestante de 21 anos. Nomes e idades das outras vítimas fatais não foram divulgados.

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Em Dois Unidos, no Recife, cinco vítimas foram soterradas após um deslizamento de barreira. Segundo o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), as vítimas foram retiradas do local com escoriações.

Em Jaboatão dos Guararapes, sete barreiras deslizaram. Segundo a prefeitura, ninguém ficou ferido, mas as famílias precisaram deixar suas casas. A Defesa Civil pode ser acionada, no município, pelos telefones 0800 281 20 99 ou (81) 9 9195 6655.

Acionado para socorrer feridos, o Samu também registrou deslizamentos de barreiras no Córrego do Abacaxi, Estrada do Passarinho e no Alto Nova Olinda, em Olinda; na Rua do Bosque, em Paulista, e em Caetés, em Abreu e Lima.

No Recife, a Defesa Civil do município informou pouco antes das 8h desta quarta (24) que, em seis horas, foram registrados 101 mm de chuvas. O volume corresponde a oito dias, segundo a média histórica para o mês de julho de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

De acordo com a Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), as chuvas no Grande Recife e Zona da Mata devem diminuir de intensidade, mas persistem durante todo o dia. Na terça (23), a Agência havia renovado o alerta para chuvas moderadas a fortes nas duas regiões.

Barco e trator para locomoção

Devido aos alagamentos na BR-101, no bairro da Guabiraba, na Zona Norte do Recife, o enfermeiro André Cavalcanti pagou R$ 10 para atravessar a rodovia e conseguir chegar a Igarassu, também na Região Metropolitana.

Em Olinda, os moradores do Residencial Jardim Olinda, no bairro de Casa Caiada, contam que foram acordados por volta de 1h30 e orientados a retirar os carros da garagem para a água poder escoar. No mesmo bairro, moradores usaram um barco para se locomover.

Alagamentos

Às 5h30, a Rua Manoel Bandeira, onde fica o Residencial Jardim Olinda, ficou completamente alagada. A água cobriu parte dos veículos. Quem mora nos apartamentos mais baixos do Residencial precisou contar com ajuda para subir os móveis.

Ainda em Olinda, na Cidade Tabajara, cerca de 20 ônibus faziam uma fila sem conseguir transitar. Caminhões, caminhonetes e carros comuns também estão parados nos acostamentos para não arriscar a travessia.

Imagens enviadas para o WhatsApp da TV Globo mostram a Rua Olegário Mariano, na mesma cidade, completamente alagada. O nível da água chega até metade dos veículos. Segundo moradores da Rua Caetano Ribeiro, em Casa Caiada, a água no nível da cintura deixa as pessoas ilhadas em suas casas.

No Recife, a Rua Carneiro Vilela, no bairro da Encruzilhada, a Rua Teles Júnior, nos Aflitos, e a Rua Estrela, no Parnamirim, todas na Zona Norte do Recife, são algumas das vias alagadas.

O analista de tecnologia da informação Gilberto Santos Júnior, de 39 anos, que mora há 15 anos no mesmo lugar, conta que se deparou com a Rua Nossa Senhora da Pompéia, no bairro da Encruzilhada, na Zona Norte do Recife, alagada desde as 6h.

Segundo ele, o caos no bairro não é novidade. "Sempre alaga tanto aqui na rua quanto nas redondezas. Tem um giradouro por trás do Mercado da Encruzilhada que traz muita água e lixo para esse lado", afirma.

Há, também, pontos de alagamento nas avenidas Mascarenhas de Moraes, na Imbiribeira, na Zona Sul; Dois Rios, no Ibura, também na Zona Sul; e na Doutor José Rufino, em Areias, na Zona Oeste. Nesses pontos não há retenção, mas os veículos passam com dificuldades, de acordo com a Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU).

"Eu consegui passar porque estava dentro de um ônibus, que é alto, mas essa parte da Doutor José Rufino Sempre alaga e não é de hoje. Já fizeram uma intervenção de limpeza, mas não mudou nada", conta o professor Carlos Landim.

A CTTU não divulgou um balanço de semáforos que pararam de funcionar por conta das chuvas, mas solicita à população que avise qualquer ocorrência desse tipo pelo número 0800.081.1078. A ligação é gratuita.

No município de Paulista, de acordo com moradores, o nível da água na Rua Frei Caneca, no bairro do Janga, chega até o joelho. Os moradores não conseguem sair de casa.

A Rua Britânia, em Nossa Senhora do Ó, em Paulista, está alagada. De acordo com Marcela Portela, de 26 anos, que mora há 19 no local, falta pouco para a água invadir as residências. "Hoje não temos condições de sair daqui. Sexta-feira tenho um congresso e a situação precisa melhorar. Durante todo o tempo aqui, nunca vi ações da prefeitura para melhorar a rua", afirma.

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