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Cabral admite que comprou, por US$ 2 milhões, votos para trazer a Olimpíada

Depoimento desta quinta foi pedido da defesa do ex-governador, que pretende colaborar com as investigações da operação Unfairplay

O ex-governador Sérgio Cabral admitiu pela primeira vez ter comprado, por US$ 2 milhões, votos que garantiram a escolha do Rio como sede da Olimpíada de 2016. Em depoimento nesta quinta-feira (4) ao juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, responsável pela Lava Jato no Rio de Janeiro, Cabral disse que o ex-presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, indicou o presidente da Federação Internacional de Atletismo (IAAF), Lamine Diack, como intermediário do esquema.

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O interrogatório foi um pedido da defesa do ex-governador, que pretende colaborar com as investigações da Operação Unfair Play. No processo, Cabral é acusado pelo Ministério Público Federal de envolvimento em um suposto esquema de compra de votos no Comitê Olímpico Internacional (COI). Os investigadores querem saber se houve fraude na escolha do Rio de Janeiro como sede da Olimpíada de 2016.

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Além de Cabral e Nuzman, o ex-diretor do COB Leonardo Gryner e o empresário Arthur Soares Filho, conhecido como Rei Arthur, foram denunciados por corrupção devido à suspeita de compra de votos. As defesas negam. Lamine Diack e o filho dele, Papa, são acusados de intermediar o pagamento de US$ 2 milhões.

No depoimento desta quinta, Cabral contou que, em agosto de 2009, durante a campanha trazer os Jogos Olímpicos ao Rio, foi procurado por Nuzman, então presidente do COB, para um "encontro urgente" depois de um evento esportivo em Roma.

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"Eu não sabia qual seria a repercussão de um núcleo europeizado muito forte [na votação]. Nessa natureza, o Nuzman vira pra mim e me fala: 'Sérgio, quero te abrir que o presidente da IAAF, Lamine Diack, ele é uma pessoa que se abre pra vantagens indevidas. Ele pode garantir 5 ou 6 votos. Ele quer, em troca, US$ 1,5 milhão'", disse o ex-governador.

No interrogatório, Cabral disse ter perguntado a Nuzman de onde viriam os votos e qual a garantia de que seriam de fato obtidos. O então presidente do COB teria respondido que seriam de membros africanos do comitê e também de representantes do atletismo.

Após o encontro, Cabral disse que iria confiar em Nuzman para tratar dessa negociação. Afirmou, no entanto, que iria conseguir um empresário de confiança para fazer os pagamentos necessários para o acordo.

"Eu chamei o [empresário] Arthur Soares e falei pra ele da necessidade de conseguir o dinheiro para os votos. Isso foi debitado do crédito que eu tinha com ele. Fui eu que paguei. Eu dei o telefone do Léo [Leonardo Gryner, ex-diretor de operações da Rio 2016], e eles acertaram com esse Papa Diack, filho de Lamine Diack", contou o ex-governador.

Cabral disse que, em setembro de 2009, em Paris, dias antes do jantar que ficou conhecido como "Farra dos Guardanapos", Gryner e Nuzman o alertaram sobre a possibilidade de conseguir mais votos para a campanha do Rio.

"Em Paris, no hotel, eu fui chamado no canto pelo Léo e pelo Nuzman, que me falaram de um problema. O Nuzman falou que Papa Diack disse que conseguiria mais votos. Ele disse que poderíamos chegar em 9 votos no total. Mas que precisava de mais US$ 500 mil. Eu disse pra ele que seria feito", contou Cabral. O evento citado aconteceu em 14 de setembro e o pagamento teria sido feito no dia 29 do mesmo mês.

Diante de Bretas, Cabral afirmou que talvez a compra de votos não fosse necessária para que o Rio fosse escolhido como sede olímpica. Mas o ex-governador questionou: "E se eu não tivesse comprado? Eu não iria ficar nessa dúvida".

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