Banco Master: PF faz buscas contra líder do governo Lula no Senado
Segundo a PF, há suspeitas de que Jaques Wagner teria atuado em favor da 'Emenda Master'

Metrópoles
18/06/2026 às 9:48 • Atualizada em 18/06/2026 às 10:32 - há XX semanas
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A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (18/6), a 9ª fase da Operação Compliance Zero, que apura irregularidades envolvendo o Banco Master. Entre os principais alvos, estão o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, e o empresário Augusto Lima, ex-sócio do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
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Além das buscas, foram autorizadas medidas cautelares diversas da prisão, como suspensão de passaportes e proibição de contato entre os investigados.
As suspeitas envolvendo Jaques Wagner surgiram a partir da análise de mensagens extraídas do celular de Augusto Lima. Os investigadores tentam esclarecer se o senador teria atuado em favor de pautas de interesse do Banco Master no Congresso Nacional, entre elas uma proposta que ampliava o crédito consignado e outra medida conhecida nos bastidores como “Emenda Master”.


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Em contrapartida, a Polícia Federal suspeita de que o parlamentar possa ter recebido vantagens indevidas. Entre os benefícios sob apuração, estão um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões e regalias que somariam pelo menos R$ 3 milhões.
Parte desses pagamentos, segundo a investigação, teria sido realizada por meio de uma empresa ligada a familiares do senador, estrutura que, na avaliação dos investigadores, poderia ter sido utilizada para ocultar a origem do dinheiro.
Segundo a PF, os fatos investigados podem configurar crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
Em nota, a equipe de defesa de Augusto Lima declarou que as diligências realizadas pela PF nesta quinta (18) eram desnecessárias, “uma vez que Augusto Lima está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração.”
Os advogados afirmaram, ainda, que Augusto sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública.
“De todo modo, as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos.”
Ligações perigosas
Em março deste ano, a colunista do Metrópoles Milena Teixeira revelou que a BK Financeira, empresa da nora de Jaques Wagner, Bonnie de Bonilha, recebeu ao menos R$ 11 milhões do Banco Master desde 2021.
A empresa foi contratada para prospectar operações de crédito consignado para a instituição financeira de Daniel Vorcaro. Bonnie é casada com Eduardo Sodré, secretário de Meio Ambiente da Bahia e enteado do senador.
Em manifestações anteriores, Jaques Wagner afirmou que jamais participou de qualquer intermediação ou negociação em favor da empresa e que cabe exclusivamente aos seus responsáveis prestar esclarecimentos sobre as atividades desempenhadas.
Outro alvo da operação, o empresário Augusto Ferreira Lima, é ex-sócio de Daniel Vorcaro e personagem recorrente nas investigações relacionadas ao Banco Master.
Lima chegou a ser preso durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025. Ele teve bens bloqueados pela Justiça e foi alvo de medidas do Banco Central, que decretou a liquidação extrajudicial da DTVM e do Banco Pleno.
Augusto também responde a uma cobrança de R$ 247 milhões no Tribunal de Justiça de São Paulo e é apontado em ações judiciais por suposta blindagem patrimonial por meio de empresas utilizadas para proteger ativos imobiliários.
Estima-se que os prejuízos causados pelas operações irregulares do Banco Master cheguem a R$ 60 bilhões.