Banco Digimais, de Edir Macedo, replicou tática do Banco Master, diz PF
Investigação aponta suspeita de manipulação contábil para ocultar rombo bilionário

A Polícia Federal (PF) aponta que o Banco Digimais, do bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, replicou a tática que foi realizada pelo Banco Master, segundo informações do Estadão. A Operação Miragem, realizada nesta terça-feira, 23, revelou uma investigação sobre supostas fraudes financeiras, manipulação de balanços e ocultação da real situação patrimonial da instituição.
Tudo em um só lugar.
Receba notícias da GazetaWeb no seu WhatsApp e fique por dentro de tudo!

A apuração, que foi baseada em relatórios do Banco Central, levou ao cumprimento de mandados de busca e apreensão, bloqueio de até R$ 670 milhões em bens e quebra de sigilos bancários e fiscais dos investigados. Segundo a PF há indícios de que dirigentes do banco utilizaram fundos de investimento e operações contábeis para aparentar uma situação financeira mais saudável do que a existente na realidade.
Leia também
As investigações apontam que administradores do Digimais teriam manipulado demonstrativos contábeis e registros regulatórios para esconder problemas financeiros da instituição.
De acordo com a BBC News, a suspeita é de que o banco tenha utilizado fundos de investimento para ocultar sua real situação econômico-financeira e manter uma aparência de solvência perante órgãos reguladores e investidores.


Servidores cobram da PF apuração sobre perdas de recurso do Iprev Maceió

Governo inaugura ponte na zona rural de São José da Tapera

Renan Filho volta a defender projeto coletivo e união de forças para futura chapa

Em discurso, senador Renan critica gestão anterior à do filho no governo de Alagoas
Os investigados poderão responder por crimes como gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e realização de operações de crédito vedadas pelo Sistema Financeiro Nacional.
Como funcionaria a suposta fraude?
Segundo o Estadão, o núcleo da investigação envolve a valorização de créditos judiciais adquiridos por valores relativamente baixos e posteriormente registrados por cifras muito superiores nos balanços do banco.
O Banco Central identificou que direitos creditórios comprados por cerca de R$ 71 milhões passaram a ser contabilizados por mais de R$ 741 milhões após sucessivas reavaliações realizadas por fundos ligados à estrutura do Digimais.
Na avaliação dos investigadores, a operação teria criado um patrimônio artificial, inflando os resultados financeiros da instituição.
Depois, segundo o BC, o Digimais vendeu esses ativos para sua própria controladora por mais de R$ 741 milhões, com pagamento previsto apenas para 2032 e sem entrada imediata de recursos no caixa do banco.
Para a fiscalização, a operação serviu para manter nos balanços valores que deveriam ter sido revertidos após determinação do próprio Banco Central.
Na prática, a suspeita é que o banco tenha realizado uma transação com sua própria controladora, criando um crédito a receber e registrando esse valor como ativo patrimonial. Segundo a PF, isso teria permitido manter a aparência de solidez financeira sem que houvesse dinheiro efetivamente entrando na instituição.
Os investigadores afirmam que a estrutura pode configurar uma operação de crédito irregular entre partes relacionadas, prática proibida pela legislação bancária.
Qual é a relação com o Banco Master?
Um dos pontos mais relevantes da investigação é a comparação feita pela Polícia Federal entre o Digimais e o Banco Master. Segundo o Estadão, os investigadores entendem que as duas instituições adotaram estratégias semelhantes para sustentar artificialmente seus balanços.
A PF afirma que tanto o Digimais quanto o Master teriam utilizado ativos de rentabilidade considerada desproporcional aos padrões de mercado para inflar seu patrimônio e captar recursos de investidores.
No caso do Digimais, a investigação sustenta que a instituição teria replicado uma dinâmica observada no Master: assumir riscos elevados enquanto transmitia ao mercado a percepção de que os depósitos estariam protegidos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Como o Master aparece na investigação?
Além da comparação entre os modelos de negócio, o Master também surge diretamente na apuração. Após a liquidação do Banco Master, foi identificada uma exposição de aproximadamente R$ 600 milhões do Digimais a carteiras de crédito ligadas ao banco.
Esses ativos passaram a ser questionados quanto à qualidade, ao lastro e à regularidade documental, aumentando as preocupações sobre a situação financeira do Digimais.
A investigação também menciona uma tentativa frustrada de compra do banco, em 2025, por um grupo liderado por Maurício Quadrado, executivo que havia passado pelo Master. A operação acabou vetada pelo Banco Central.
O que o Fundo Garantidor de Crédito tem a ver com o caso?
A investigação também envolve o papel do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), entidade privada que protege depósitos bancários de clientes em caso de quebra de instituições financeiras.
Segundo a PF, a venda do Digimais para o BTG Pactual estaria condicionada a uma injeção de aproximadamente R$ 7 bilhões por parte do FGC para cobrir déficits da instituição.
Para os investigadores, isso poderia resultar na transferência dos prejuízos causados pela gestão do banco para o sistema de proteção financeira, enquanto administradores e controladores preservariam seus patrimônios pessoais.
A PF argumenta que essa situação desvirtuaria a finalidade do FGC, criado para proteger correntistas e investidores, e não para absorver prejuízos decorrentes de eventuais práticas ilícitas de gestão.
Quem são os alvos?
Os alvos dos mandados de busca e apreensão são:
- Marcelo de Lima Brasil, executivo do Banco Digimais;
- João Alves de Campos, executivo do Banco Digimais;
- Rodrigo Ruggero, executivo do Banco Digimais;
- João Luiz Urbaneja, homem de confiança de Edir Macedo e dirigente do Banco Digimais;
- Thiago Rodrigues Urbaneja, filho de João Luiz e dirigente do Banco Digimais;
- José Roberto Giancoli Filho, dono da ID, gestora dos fundos do Digimais;
- Rodrigo Balassiano, dono da ID, gestora dos fundos do Digimais;
- Banco Digimais S.A.;
- ID Corretora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.
O bispo Edir Macedo não foi alvo das buscas porque reside no exterior. No entanto, foi autorizado o bloqueio e sequestro de bens do bispo evangélico, assim como dos outros alvos.
Os materiais apreendidos serão analisados pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal e a investigação continua.
