Artigo | Renata Cabral

Violência contra a mulher: a importância de não se calar diante do assunto

Existem vários tipos de violência contra a mulher

Renata Cabral

Psicóloga clínica, especialista em Teoria Cognitiva Comportamental, coach pelo IBC e Master Mind

Quando se fala em violência doméstica, geralmente se associa a violência praticada contra as mulheres, porém esse tipo de comportamento também é observado com crianças e idosos. O intuito desse artigo é se concentrar na violência praticada com as mulheres, assunto em evidência na atualidade, embora saibamos que esse tema não é privilégio dos dias atuais e remonta a períodos históricos da humanidade.
Existem vários tipos de violência contra a mulher, ela pode ser psicológica, geralmente a primeira a aparecer nas relações afetivas, a violência física talvez a mais dolorosa e deprimente, porque além da dor corporal, ainda sangra a alma. A violência moral, onde fere a dignidade e hombridade da mulher, seja por calúnia, injúria ou difamação. A violência patrimonial, talvez a menos conhecida pela sociedade, que se caracteriza pela retenção, subtração, destruição parcial ou total de objetos, entre outros. E a violência sexual, aquela que tira da mulher o direito de decidir sobre seu próprio corpo, é invasiva e extremamente ferina, abalando não só a estrutura física, como a moral e psicológica de qualquer mulher, é devastadora, desumana e cruel.

A Lei Maria da Penha - 11.340/06 e a Lei do Feminicídio - 13.104/15, além, claro, de oferecer mais segurança as mulheres do nosso país, também deram muito mais visibilidade ao problema, o que é de muita valia, pois de certa forma, além de serem medidas coercitivas, inibem certos agressores que tem medo da punição, embora a maioria ainda utilize de violência mesmo assim, ignorando a lei e todos os aspectos punitivos e morais.

A sociedade em geral ainda não está preparada para a violência doméstica, é fato. As pessoas não querem testemunhar, não querem se meter, e o pior não querem problema para si, o que é uma insensibilidade sem tamanho. Quantas vidas teriam sido resguardadas se um vizinho tivesse chamado a polícia, quantas mulheres teriam sido poupadas de marcas de violência não só no corpo como na alma, se alguém tivesse se comovido com seus gritos de dor, quantas histórias teria tido outros finais, se as pessoas se comovessem mais com a dor do outro, se o senso de justiça prevalecesse sobre qualquer medo ou acomodação, ou ainda, se as pessoas tomassem consciência que esse é um problema de toda a sociedade, que temos que atuar na prevenção e solução dos casos de violência, que não podemos nos calar diante de tal atrocidade, que esse problema é meu, é seu, é de todos.