Vazio existencial: quando a vida perde o sentido e como reencontrá-lo
Entenda o que é o vazio existencial e como dar início a uma vida com mais significado

Sensação de apatia, falta de motivação e perda de propósito são cada vez mais comuns. Entenda o que é o vazio existencial e como dar início a uma vida com mais significado.
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Há momentos em que a rotina parece funcionar sozinha: acordar, cumprir obrigações, tentar parecer bem, encerrar o dia e recomeçar. Por fora, tudo segue o curso normal. Por dentro, uma inquietação silenciosa cresce — difícil de explicar, impossível de ignorar.
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Esse é o cenário do chamado vazio existencial, termo cunhado pelo psiquiatra austríaco Viktor Frankl para definir a ausência de sentido na vida. De acordo com Frankl, o sentido não é um luxo, mas uma necessidade psicológica tão vital quanto o alimento. Sem ele, é comum que surjam tédio profundo, apatia, sintomas ansiosos e depressivos, ou comportamentos que buscam compensar a falta de propósito.
O fenômeno tem ganhado espaço na vida moderna. Em uma sociedade que valoriza produtividade e resultados rápidos, mas oferece pouco tempo para reflexão, muitas pessoas se veem presas ao modo automático. Para tentar calar o incômodo, recorrem a soluções momentâneas: consumo excessivo, uso abusivo de substâncias, hiperconexão digital, hipersexualização ou até agressividade velada. Nada disso, no entanto, supre a necessidade de significado.


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Questionar o sentido da vida é natural em diferentes fases da existência. O problema começa quando a pergunta “para que tudo isso?” permanece sem resposta, e o vazio se instala de forma persistente. Com o tempo, podem surgir transtornos depressivos, ansiedade, dependência química, relações frágeis e perda de vitalidade.
Superar o vazio existencial exige, antes de tudo, reconhecer sua presença sem julgamentos. A partir daí, é possível iniciar um caminho de reconstrução:
- Escutar o próprio mundo interno, reduzindo o excesso de estímulos para perceber o que precisa de atenção.
- Revisitar valores e prioridades, identificando o que realmente importa para além das expectativas externas.
- Agir com propósito, fazendo escolhas alinhadas a esses valores.
- Buscar apoio terapêutico, que oferece um espaço seguro para explorar caminhos e redescobrir o sentido de viver.
O vazio, por mais desconfortável que seja, pode ser o ponto de partida para uma virada. É um convite para parar de apenas sobreviver e começar a viver de forma plena. Como disse Viktor Frankl: “Quem tem um porquê, suporta qualquer como.”
Nathalia Mouzinho Soares (CRP 05/56253)
Psicóloga e especialista em avaliação neuropsicológica. Atua com temas como sentido de vida, saúde emocional e relações humanas.
*Os artigos assinados são de responsabilidade dos seus autores, não representando, necessariamente, a opinião da Organização Arnon de Mello.
