Artigo | Patricia Freire de Vasconcelos

Piso Salarial da Enfermagem: a quem interessa?

Sanção da Lei 14.434 que trata do piso salarial nacional para enfermeiros, técnicos e auxiliares de Enfermagem e parteiras

Patricia Freire de Vasconcelos

Enfermeira, professora universitária, servidora pública, coach, doutora em cuidados clínicos e mestre em neurofarmcologia

Recentemente, a sociedade vislumbrou a sanção da Lei 14.434 que trata do piso salarial nacional para enfermeiros, técnicos e auxiliares de Enfermagem e parteiras.

Apesar da sanção, o embate segue em busca de recursos para financiar tais proventos. Contudo, algo que talvez a sociedade não saiba é quem de fato são esses profissionais que doam sua vida em prol do cuidado centrado na pessoa.

Durante a pandemia, a atuação da enfermagem ficou evidenciada. Não apenas pelo seu exercício profissional, mas também por fazerem parte do contingente de profissionais de saúde mortos por COVID-19. Dados estimam que 23% do trabalhadores de enfermagem morreram durante a pandemia. Estima-se ainda que 87% dos profissionais entrevistados que atuaram durante a pandemia tiveram sintomas de burnout. Essa síndrome é manifestada por sinais de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico e sua principal causa é o excesso de trabalho.

Esses dados foram amplamente divulgados pela mídia. Mas, o que a sociedade não sabe é que quando um bebê nasce, a enfermagem está lá! Quando uma cirurgia acontece, a enfermagem gerenciou e esteve à frente para que outras categorias profissionais pudessem executar suas ações. O que a sociedade não sabe é que a enfermagem está relacionada diretamente na construção das políticas públicas de saúde e exerce o advocacy (advogada em prol do paciente) para que a justiça social seja feita nos diversos cenários do SUS. Como diria Wanda Horta “gente que cuida de gente”!

Por muitas vezes, a falta de visibilidade da profissão é desmotivadora e causa sofrimento. Com a pandemia, o reconhecimento social veio. Antes então, pouco demonstrado pela sociedade.

Dessa forma, a Lei do Piso Salarial representa para além do reconhecimento social algo que estava engasagado há décadas: a falta de valorização de uma profissão tão importante para o nosso sistema de saúde.

O piso representa para alguns esperança, para outros a melhoria de condição de vida. Representa sobretudo a equidade e a justiça para essa categoria tão sofrida e explorada com vínculos trabalhistas frágeis.

O SUS não sobreviveria sem a Enfermagem! Aliás, sistema de saúde nenhum do mundo! Outras categorias podem até faltar, mas a enfermagem sempre estará lá para cuidar. O que a sociedade talvez não saiba é que os moldes que conhecemos hoje de hospital foi criado por uma enfermeira, por exemplo, conhecia como Florence Nightingale. Em outros países, como Reino Unido, a enfermagem é extremamente valorizada e devidamente reconhecida pelo papel que desempenha no sistema de saúde inglês.

Logo, o piso salarial da enfermagem, assim como as 30 horas, que há anos é pauta de luta dessa categoria, interessa sobretudo a sociedade brasileira e para cada cidadão brasileiro que já precisou ou irá precisar do cuidado de enfermagem, em especial, aqueles que utilizam o SUS. Esses profissionais invisíveis merecem!