Osteoporose: a doença silenciosa que pode roubar a vida de milhões de brasileiros
Osteoporose é considerada uma das principais causas de incapacidade na população idosa

Você provavelmente conhece alguém que caiu, fraturou o quadril e nunca mais voltou a ser o mesmo. O que muitas pessoas não sabem é que, por trás dessa história, frequentemente existe uma doença silenciosa chamada osteoporose.
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Diferentemente do que muitos imaginam, a osteoporose não faz parte do envelhecimento "normal". Trata-se de uma doença caracterizada pela diminuição da densidade mineral óssea e pela deterioração da microarquitetura do osso, tornando-o mais frágil e suscetível a fraturas, muitas vezes após quedas da própria altura ou até mesmo pequenos traumas (1,2). O mais preocupante é que a perda óssea é silenciosa: não causa dor e geralmente não apresenta sintomas até que a primeira fratura aconteça.
Leia também
Um problema de saúde pública
A osteoporose é considerada uma das principais causas de incapacidade na população idosa. Estima-se que cerca de 10 milhões de brasileiros convivam com a doença, e esse número tende a crescer à medida que a população envelhece (3).


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Nas mulheres, o risco aumenta significativamente após a menopausa. Aproximadamente uma em cada três mulheres na pós-menopausa apresenta osteoporose, consequência principalmente da queda dos níveis de estrogênio, hormônio essencial para a manutenção da massa óssea (3,4).
Estudos mostram que a perda óssea acelerada começa cerca de dois anos antes da última menstruação e continua pelos anos seguintes, período em que ocorre uma redução importante da densidade mineral óssea. Esse é um momento crucial para a prevenção e para a avaliação da saúde óssea (5).
O perigo não é a osteoporose. É a fratura.
O maior risco da osteoporose não é simplesmente ter um osso mais fraco, mas sofrer uma fratura por fragilidade.
As fraturas por fragilidade ocorrem principalmente na coluna, no quadril e no punho (2). As fraturas vertebrais são as mais frequentes e, muitas vezes, passam despercebidas por serem assintomáticas. Já a fratura de quadril é considerada uma das complicações mais graves da doença (1,2).
As consequências podem ser devastadoras:
• cerca de 20% a 30% dos pacientes morrem no primeiro ano após uma fratura de quadril, principalmente em decorrência das complicações associadas (1,6);
• aproximadamente 30% permanecem com incapacidade permanente (6);
• muitos nunca recuperam totalmente a independência para caminhar, realizar atividades do dia a dia ou viver sozinhos (1,6).
Além do impacto na qualidade de vida, a osteoporose gera um enorme impacto econômico, com elevados custos relacionados a internações, cirurgias, reabilitação e necessidade de cuidados de longo prazo (3).
Quem deve ficar atento?
Embora qualquer pessoa possa desenvolver osteoporose, alguns fatores aumentam significativamente o risco (2,6):
• mulheres após a menopausa;
• idade acima de 65 anos;
• homens acima de 70 anos;
• baixo peso corporal;
• histórico familiar de osteoporose ou fratura de quadril;
• tabagismo;
• consumo excessivo de álcool;
• deficiência de vitamina D;
• baixa ingestão de cálcio;
• uso prolongado de corticoides;
• algumas doenças hormonais, reumatológicas e gastrointestinais que comprometem a saúde óssea.
A boa notícia: existe diagnóstico
Hoje é possível identificar a osteoporose antes que a primeira fratura aconteça.
O principal exame é a densitometria óssea (DEXA), considerada o padrão-ouro para avaliação da densidade mineral óssea. É um exame rápido, indolor e com mínima exposição à radiação (2,6).
Além da densitometria, o médico avalia o histórico clínico, os fatores de risco, a ocorrência de fraturas prévias e pode solicitar exames laboratoriais para investigar causas secundárias da perda óssea, como alterações hormonais, doenças inflamatórias, distúrbios da absorção intestinal e deficiência de vitamina D (2,6).
Vale lembrar que uma fratura por fragilidade, mesmo que a densitometria não apresente critérios de osteoporose, já pode ser suficiente para estabelecer o diagnóstico e indicar tratamento (2).
Existe também tratamento
Um dos maiores equívocos é acreditar que, depois de receber o diagnóstico, "não há mais o que fazer".
Hoje existem medicamentos altamente eficazes, capazes de reduzir significativamente o risco de novas fraturas (1,6,7). Além disso, o tratamento inclui medidas fundamentais como ingestão adequada de cálcio, correção da deficiência de vitamina D, prática regular de exercícios físicos, especialmente treinamento de força e exercícios com impacto quando indicados, e estratégias para prevenção de quedas (6,7).
A escolha do tratamento deve ser individualizada e baseada no risco de fratura de cada paciente, sendo fundamental o acompanhamento por um médico que tenha experiência na avaliação e no tratamento das doenças ósseas.
Não espere a primeira fratura
A osteoporose é chamada de "doença silenciosa" porque não costuma dar sinais antes de causar um evento que pode mudar completamente a vida de uma pessoa.
Esperar sentir dor para investigar é um erro. Na maioria das vezes, quando a dor aparece, ela já é consequência de uma fratura.
Por isso, mulheres na menopausa, homens idosos e pessoas com fatores de risco devem conversar com um médico sobre a necessidade de avaliação da saúde óssea. O diagnóstico precoce permite iniciar medidas preventivas e, quando necessário, tratamento específico, reduzindo de forma expressiva o risco de fraturas incapacitantes.
A osteoporose tem diagnóstico, tem prevenção e tem tratamento. O maior erro é esperar pela primeira fratura para agir. Se você está na menopausa, tem mais de 65 anos, possui fatores de risco ou já sofreu uma fratura após uma queda da própria altura, converse com um médico que tenha experiência na avaliação da saúde óssea. Cuidar dos seus ossos hoje é preservar sua mobilidade, sua autonomia e sua qualidade de vida nas próximas décadas. Afinal, envelhecer bem significa continuar vivendo com independência.
Sobre a autora
Dra. Mariana Maurer Herter é médica fisiatra (CRM-RS 32.954 | RQE 44.434), com certificação internacional em Medicina do Estilo de Vida. Atua com foco em saúde muscular, menopausa, osteoporose, longevidade e prevenção de doenças relacionadas ao envelhecimento. Realiza atendimentos online para todo o Brasil e consultas presenciais em Porto Alegre (RS).
Para mais informações e conteúdos sobre saúde, acompanhe @marianaherter.
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Referências bibliográficas
1. Reid IR, Bolland MJ. Management of Postmenopausal Osteoporosis. Endocr Rev. 2026;47(1):bnag006.
2. Camacho PM, Petak SM, Binkley N, et al. American Association of Clinical Endocrinology Clinical Practice Guideline for the Diagnosis and Treatment of Postmenopausal Osteoporosis – 2020 Update. Endocr Pract. 2020;26(Suppl 1):1-46.
3. International Osteoporosis Foundation (IOF). Osteoporosis Facts and Statistics.
4. Compston J, McClung MR, Leslie WD. Osteoporosis. Lancet. 2019;393(10169):364-376.
5. Greendale GA, Sowers M, Han W, et al. Bone mineral density loss in relation to the final menstrual period in a multiethnic cohort: results from the Study of Women's Health Across the Nation (SWAN). J Bone Miner Res. 2012;27(1):111-118.
6. Cosman F, de Beur SJ, LeBoff MS, et al. Clinician's Guide to Prevention and Treatment of Osteoporosis. Osteoporos Int. 2014;25:2359-2381.
7. Kanis JA, Cooper C, Rizzoli R, Reginster JY. European guidance for the diagnosis and management of osteoporosis in postmenopausal women. Osteoporos Int. 2019;30(1):3-44.
*Os artigos assinados são de responsabilidade dos seus autores, não representando, necessariamente, a opinião da Organização Arnon de Mello.
