Artigo | Bruno Callado

Os dispendiosos combustíveis para desunião nacional

Estamos vivendo uma polarização que atinge, esfaqueia e mutila o gigante Brasil, de modo que atinge direta e indiretamente o povo

Bruno Callado

advogado criminalista pós-graduado em direito penal e processo penal. Escritor. Apresentador do quadro Penal News, pela TV Mar, canal 25 da Net, pertencente às Organizações Arnon de Mello.

Peço licença aos leitores de meus artigos para sair um pouco da vertente criminal e reduzir a termo uma indignação que não é só minha.

Estamos vivendo uma polarização que atinge, esfaqueia e mutila o gigante Brasil, de modo que atinge direta e indiretamente o povo que luta e sonha com uma nação da qual tenhamos orgulho pleno frente às demais potências mundiais.

Os três poderes que formam o estado não mais se fazem moralizados como antes. Corrupção, interesse particular e egocêntrico, ganância e falta de respeito tomam conta dos que os integram ressalvadas as raras e valorosas exceções.

É incrível como o dinheiro e poder são capazes de se sobreporem ao caráter de alguém que estaria ali para ser exemplo, mas que surge como o oposto disso. O tanto que batalhamos, que presenciamos ou sabemos de histórias de brasileiros sofridos, que labutam arduamente para pagar os acentuados impostos, ter o que comer, manter algo que lhe é de responsabilidade e viver da maneira do possível e, ainda assim, quando chega em casa ao final do dia, nos deparamos com um noticiário regado de informações trágicas que trazem dentre outras informações, a crise nacional advinda de brigas políticas.

Somos nós quem custeamos todo o luxo da politicagem que nada vem fazendo a não ser se digladiar entre si, quando em meio ao caos pandêmico deveria unir as forças para agir em prol de toda população.

O mesmo país que se destaca pelas belezas naturais, pelos atraentes e convidativos pontos turísticos, pelo povo acolhedor e sociável, é o país que se envereda em uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) voltada para a pandemia. Não se enganem! Não tem cunho investigativo em busca de verdades intrínsecas, mas sim, serventia de palanque político para eleições vindouras. É vergonhoso assistir senadores que vendam os olhos e se perfazem no egocentrismo, trocando ofensas, dirigindo xingamentos e humilhações a depoentes e testemunhas sem pudor algum a ponto de estigmatizar profissionais como criaturas teratológicas e apedeutas.

Estamos diante de um caos sanitário oriundo através de um vírus que deu ensejo ao caos gerador de desuniões e desavenças numa guerra civil-política. O descontentamento me toma conta de modo que me faz concluir que financiamos o luxo de quem nos gera o lixo.