Artigo | Bruno Callado

O repúdio ao destrato e ao cerceamento

Somos quinhão imprescindível e de extrema importância na administração da justiça, legitimados para o exercício de um trabalho fundamental

Bruno Callado

advogado criminalista pós-graduado em direito penal e processo penal. Escritor. Apresentador do quadro Penal News, pela TV Mar, canal 25 da Net, pertencente às Organizações Arnon de Mello.

Muitos nos interpretam como se fossemos tão somente os “defensores de bandidos”, aqueles que lutam em prol do que é errado e imoral. Engana-se quem assim tem esse pensamento medíocre e apedeuto.

Somos quinhão imprescindível e de extrema importância na administração da justiça, legitimados para o exercício de um trabalho fundamental. Somos elementos de composição democrática que atende os interesses de partes em juízo.

Ao acompanhar de forma hebdomadária a CPI da Covid, deparei-me com algo que me causou certa revolta. Foi quando o Sen. Otto Alencar, enquanto presidia provisoriamente os trabalhos da Comissão, se desentendeu com o advogado Alberto Zacharias Toron. Tudo começou quando o Senador se dirigiu ao então depoente e cliente de Toron, o empresário Carlos Wizard, exprimindo que seu advogado estava “vermelho e que parecia ter tomado banho de mar” e que o depoente “amarelou” no depoimento. Prontamente, Alberto toma a palavra para defender-se da abordagem irônica e desrespeitosa, mas, tem o direito de se manifestar injusta e unilateralmente cassado quando seu microfone ficou silenciado.

Toron, em seus poucos segundos de fala, comentou que o cerceamento foi ato de covardia, o que de pronto foi maliciosamente interpretado pelo Senador como se o tivesse chamando de covarde. Depois disso, o político ameaçou retirar o advogado do plenário de forma coercitiva pela polícia legislativa, que para sua sorte, não prosperou com o ato.

Não é a primeira vez que este senador se dirige de forma abominável, agressiva, ríspida, ignorante e arbitrária com depoentes ou qualquer participante desta CPI. Outrora, causou repugnância nacional após destratar sua colega de profissão (Otto Alencar também é médico), a médica oncologista Nise Yamaguchi, humilhando-a de maneira iníqua em rede nacional. A médica está processando o senador por misoginia face ao massacre moral protegido pela imunidade parlamentar.

O que esperar de alguém que não respeita sequer uma colega de profissão? Que não tem filtro nos vocativos e direcionamentos às pessoas que ali estão?

Respeite as classes profissionais, Sen. Otto Alencar! Não amplie e fortaleça o asco que muitos estão criando em torno de seu desempenho desesperado e robustecido por despreparo no tratamento com pessoas, sejam elas estudadas, com bagagem cognitiva ou não. Pare pra pensar antes de desdenhar de alguém somente pelo fato de ter a palavra quando lhe for conveniente.

Aos doutores Alberto Zacharias Toron e Dra. Nise Yamaguchi, aos demais alvos dos insultos deste político, minhas sinceras condolências e apoio moral.