No dia 31 de julho, celebra-se o Dia Mundial do Orgasmo. Mas, afinal, o que é o orgasmo? De forma simples e direta, o orgasmo é a culminância de uma série de reações fisiológicas e psicológicas, que ocorrem durante o ato sexual ou outras formas de estimulação. Ele é marcado por uma intensa sensação de prazer e relaxamento, acompanhada por contrações rítmicas dos músculos, principalmente dos pélvicos.
E como identificar a ocorrência dele? Está é uma das dúvidas mais frequentes. O orgasmo feminino é uma experiência única e totalmente pessoal, logo não existem regras para que ele aconteça e também características que o definem, no entanto, existem alguns sinais que o corpo apresenta, onde a mulher consegue perceber se teve um.
Leia também
-Euforia seguida da sensação de relaxamento;
-Aumento dos batimentos do coração e, consequentemente, a respiração fica mais ofegante;
-Aumento da lubrificação vaginal;
-Os mamilos ficam mais enrijecidos;
-O clitóris, lábios internos e externos ficam mais inchados;
-Contrações involuntárias dos músculos do assoalho pélvico.
Infelizmente, muitas pessoas passam a vida inteira sem realmente saber o que é um orgasmo ou sem nunca terem experimentado um. Estima-se que uma parcela significativa da população, especialmente entre as mulheres, nunca atingiu o orgasmo e estão insatisfeitas com sua vida sexual. Essa realidade é fruto de uma combinação de fatores que incluem falta de educação sexual adequada, tabus culturais e preconceitos.
A sexualidade feminina é cercada de tabus e preconceitos que dificultam a expressão plena e saudável da sexualidade. Muitas mulheres sentem vergonha ou culpa ao falar sobre seus desejos e necessidades sexuais. Esse cenário é agravado pela falta de diálogo aberto sobre o tema e pela perpetuação de mitos e desinformações.
E falando em mitos: vamos desvendar alguns de uma vez por todas:
- O orgasmo só acontece com sexo vaginal. MITO! Não é verdade. É possível obter orgasmo de várias maneiras, incluindo penetração, masturbação, sexo anal, sexo oral e outras formas de estímulos.
- Múltiplos orgasmos é sinônimo de sexo bem sucedido. MITO! Essa temática envolve uma questão muito particular. Há quem considere o momento de intimidade e conexão um indicativo de êxito, e não apenas de chegar ao orgasmo.
- Mulheres que não têm orgasmo possuem transtornos. Os transtornos, das mais diversas naturezas, podem influenciar na vida sexual de mulheres e homens, mas não é sempre que as mulheres que não tem orgasmos apresentam algum. Muitas vezes essa ausência pode estar ligada as questões de autoconhecimento, de limitações emocionais/culturais estruturais, de dificuldades no relacionamento, como, por exemplo, a falta de diálogo.
- O prazer feminino está concentrado na vagina. Esse também é um mito. O prazer feminino não está apenas centrado na vagina, está principalmente na região clitoriana. A mulher apresenta um ciclo de resposta sexual que depende de diferentes fatores, com a possibilidade também da exploração de diversas áreas erógenas.
- Orgasmo e ejaculação são a mesma coisa. MITO! Não, o orgasmo é relacionado a sensações. Já a ejaculação tem relação com a expulsão de um líquido. Nos homens, é mais comum que esses dois eventos ocorram em conjunto, mas, nas mulheres, ele pode ocorrer totalmente separado, ou simplesmente a ejaculação feminina não acontecer. E isso não diz que existe algo de errado.
Como Fisioterapeuta Pélvica, um dos meus papéis é justamente promover a educação em saúde, abordando não apenas a saúde sexual e pélvica, mas também a saúde integral dos meus pacientes. É essencial que se fale abertamente sobre a saúde íntima, a sexualidade e o orgasmo e que se forneça informações corretas e práticas para que todos possam desfrutar de uma vida sexual saudável e satisfatória.
A educação é um passo importante para quebrar tabus, promover o autoconhecimento e melhorar a qualidade de vida das pessoas. No Dia Mundial do Orgasmo, convido todos a refletirem sobre a importância de uma vida sexual saudável e a buscarem informações e apoio profissional, quando necessário.
Por Emmanuele Albuquerque
Fisioterapeuta Pélvica e Mestra em Ciências Médicas