Minha mãe é igualzinha
Insônia não é destino hereditário inevitável e pode ser tratada

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Estudos genéticos demonstram que a insônia tem herdabilidade de 30 a 60%, o que indica o quanto as diferenças entre as pessoas podem ser explicadas por diferenças genéticas. No caso da insônia, essa influência parece ser mais forte em mulheres. Muitos genes associados ao risco estão ligados a circuitos cerebrais envolvidos na regulação das emoções, sugerindo que os filhos podem herdar uma vulnerabilidade biológica na forma como processam o estresse.
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A insônia não nasce de um único gene. Ela costuma ter herança poligênica: pequenos padrões genéticos que, isoladamente, não causam doença, mas que, somados entre si e associados a influências não genéticas, geram uma predisposição a desenvolver condições como, por exemplo, a insônia.
As influências não genéticas são mais um ponto de confluência entre mães e filhos. Por muitos anos, vocês compartilharam o mesmo ambiente, os horários e os costumes e, talvez, ainda compartilhem: o grau de estresse, a forma de lidar com os problemas, a soneca da tarde, as longas horas no quarto ou o café à noite são exemplos de hábitos que podem amplificar o risco em quem já tem predisposição.


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Para além da genética e do ambiente, existe ainda uma conexão mais profunda. Para Freud, a identificação é conhecida pela psicanálise como a mais antiga manifestação de uma ligação afetiva com outra pessoa. Por isso, os filhos não herdam apenas a cor dos olhos ou o formato do rosto dos pais. Incorporamos gestos, medos e modos de existir. Desenvolvemos formas semelhantes de nos relacionar com o sono e com a vida.
Insônia não é destino hereditário inevitável e pode ser tratada. Para isso, ainda não podemos mudar nossa genética, mas podemos trabalhar nossas dificuldades, mudar comportamentos, rever crenças sobre o sono e a vigília, aprender a lidar melhor com o estresse e a reduzir o nível de ansiedade.
Por Lívia Gitaí
Neurologista e Médica do Sono pela USP
Professora da UFAL e do Cesmac
*Os artigos assinados são de responsabilidade dos seus autores, não representando, necessariamente, a opinião da Organização Arnon de Mello.
