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Entre saber e fazer: como pensamentos e crenças podem influenciar nossas escolhas alimentares

Mais do que falta de informação, algumas dificuldades no emagrecimento podem estar relacionadas à forma como interpretamos nossas escolhas, nossos erros e a nós mesmas


				Entre saber e fazer: como pensamentos e crenças podem influenciar nossas escolhas alimentares
Juliana Aloy.

“Eu sei o que preciso fazer.”

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Essa frase aparece com frequência quando converso com mulheres que querem emagrecer.

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Elas sabem que precisam melhorar a alimentação, organizar as refeições, beber água, praticar atividade física. Muitas já fizeram dietas e conhecem as principais orientações sobre emagrecimento.

Ainda assim, existe uma distância entre saber e conseguir colocar em prática.

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E talvez exista algo importante acontecendo justamente nesse intervalo.

Imagine uma mulher que decide reduzir o consumo de doces. Depois do almoço, sente vontade de comer chocolate e come.

A escolha poderia terminar ali. Mas ela pensa:

“Eu não deveria ter comido.”

“Eu não tenho controle.”

“Já estraguei tudo. Começo de novo na segunda.”

O chocolate foi apenas um chocolate. Mas a interpretação daquela escolha pode desencadear culpa, frustração e o famoso pensamento de tudo ou nada.

Agora imagine que, diante da mesma situação, ela pense: “Eu estava com vontade e escolhi comer. O que estava acontecendo comigo naquele momento?”

A pergunta muda.

Em vez de transformar o episódio em prova de fracasso, ela pode investigar: era fome? Vontade? Hábito? Restrição? Cansaço? Ansiedade? Aconteceu no automático?

A situação é a mesma. O que muda é a forma de olhar para ela.

Ao longo da vida, construímos muitas regras sobre alimentação:

“Se eu comer doce, perdi o dia.”

“Eu não tenho disciplina.”

“Se eu não fizer perfeitamente, não adianta.”

Quando essas ideias se repetem, podem influenciar nossas escolhas sem que percebamos.

E uma regra muito rígida costuma deixar pouco espaço para a vida real, que tem cansaço, imprevistos, trabalho, filhos, viagens, finais de semana e dias em que simplesmente não conseguimos fazer tudo como planejamos.

Por isso, duas pessoas podem receber a mesma orientação nutricional e ter dificuldades completamente diferentes para colocá-la em prática.

Uma pode precisar de mais organização. Outra, de rever uma regra alimentar. Outra pode descobrir que passa o dia se controlando e chega à noite exausta.

A orientação nutricional continua sendo importante. Mas compreender como cada pessoa se relaciona com aquilo que sabe também faz parte do processo.

Para quem já sabe muito sobre alimentação, talvez a pergunta não seja apenas: “O que eu deveria fazer?” Mas: “O que acontece dentro de mim entre saber o que fazer e escolher o que fazer?”

Essa resposta pode revelar padrões, pensamentos e crenças que influenciam escolhas que, muitas vezes, parecem acontecer simplesmente “porque eu não tenho controle”.

Quando conseguimos enxergar aquilo que antes acontecia no automático, surge a possibilidade de fazer diferente.

Não porque passamos a acertar todas as vezes.

Mas porque uma escolha deixa de ser uma prova de fracasso e passa a ser informação.

E informação pode ser investigada.

Pode gerar novas escolhas.

Pode ampliar possibilidades.

A mudança na alimentação nem sempre começa no prato. Às vezes, começa quando aprendemos a olhar para o que acontece antes dele.

Juliana Aloy

Nutricionista e engenheira de alimentos, especialista em comportamento alimentar e nutrição funcional, com atuação especialmente voltada à saúde da mulher. É criadora do Método Raíz, uma abordagem que integra nutrição, comportamento e autoconhecimento para ajudar mulheres a construir uma relação mais consciente e possível com a alimentação.

Contatos:

@julianaaloy.nutri

(31) 99687-8428

*Os artigos assinados são de responsabilidade dos seus autores, não representando, necessariamente, a opinião da Organização Arnon de Mello.

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