E se o cérebro da criança der sinais antes do atraso aparecer?
Nem sempre os primeiros sinais do desenvolvimento infantil surgem de forma evidente — muitas vezes, eles aparecem na interação, no comportamento e na forma como a criança responde ao mundo ao redor

Por muito tempo, o desenvolvimento infantil foi resumido aos grandes marcos motores: sentar, engatinhar, andar ou falar. Como se acompanhar uma criança fosse apenas observar o momento em que determinadas habilidades aparecem.
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Mas antes de cada marco, existe algo muito mais profundo acontecendo: um cérebro em construção.
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Os primeiros anos de vida representam uma das fases mais importantes do desenvolvimento neurológico. O cérebro cria conexões constantemente a partir das experiências, estímulos e relações que cercam a criança. É nesse período que acontece a neuroplasticidade — capacidade que o cérebro possui de aprender, adaptar-se e reorganizar conexões durante o desenvolvimento.
E muitas vezes, os primeiros sinais de que algo não vai bem ainda não aparecem de forma evidente.


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Nem sempre o alerta inicial será um atraso importante no andar ou na fala. Às vezes, os sinais surgem de maneira mais sutil: na pouca interação com o ambiente, na qualidade do movimento, na dificuldade de exploração, no excesso de irritabilidade ou até mesmo na forma como a criança responde aos estímulos ao redor.
Observar cedo não significa antecipar diagnósticos ou gerar medo nas famílias. Significa compreender que o cérebro infantil responde melhor às intervenções quando recebe oportunidades adequadas no momento certo.
Mas existe um detalhe importante que muitas vezes esquecemos: desenvolvimento infantil não acontece de forma isolada.
A criança se desenvolve através das relações, do vínculo, da presença e da segurança emocional que vivencia diariamente. Em um tempo marcado por comparações constantes e excesso de informações, muitas mães acabam acreditando que precisam alcançar uma infância perfeita — quando, na realidade, o desenvolvimento saudável precisa muito mais de presença consistente do que de perfeição.
Talvez seja por isso que olhar para o desenvolvimento infantil exige mais profundidade do que apenas acompanhar marcos motores.
Porque antes do movimento, existe cuidado.
Dra. Cíntia Macagnan
Fisioterapeuta Neonatal e Pediátrica
CREFITO/3 180977-F
*Os artigos assinados são de responsabilidade dos seus autores, não representando, necessariamente, a opinião da Organização Arnon de Mello.
