Artigo | Renata Cabral

A depressão infantil existe e precisamos dar atenção a esse assunto tão importante

A depressão é um transtorno afetivo, um desarranjo cerebral funcional com base bioquímica e não pode ser taxada como frescura ou besteira

Renata Cabral

Psicóloga clínica, especialista em Teoria Cognitiva Comportamental, coach pelo IBC e Master Mind

No aspecto biológico a depressão é vista como uma provável disfunção dos neurotransmissores devido a herança genética e também ao fato de áreas cerebrais específicas terem anomalias ou falhas. Quanto ao aspecto psicológico a depressão está associada ao comprometimento da personalidade, baixa autoestima e autoconfiança. Também em relação aos aspectos psicológicos a depressão pode se dá por fatores emocionais, como mudança de cidade, de casa, de escola, de professor, separação dos pais, presenciar muitas discussões em casa, patologia crônicas, intervenções cirúrgicas, diabetes, hospitalizações prolongadas, repetidos eventos estressantes, entre outras situações.

No Brasil, a depressão infantil varia entre 0,2% a 7,5%, portanto devemos ficar atentos com nossos filhos e prevenir o desenvolvimento da doença no futuro. Constatar sintomas depressivos em crianças é mais difícil, pois elas estão em desenvolvimento e muitas vezes os pais acreditam que certos comportamentos são justificados por este fato. Esses sintomas são diversos, mas podemos identificar alguns: autocrítica elevada, sentimentos de interioridade, comportamento agressivo, sono alterado, ideias de culpa, inutilidade, pessimismo, isolamento e tristeza profunda.

Como as crianças não sabem lidar com tristeza e ansiedade, é mais fácil expressar suas queixas sobre dores físicas, e essa conduta pode ser interpretada como malcriaçao, pirraça ou birra. Birra pode sim ser sintoma de depressão infantil, associada à outros sintomas para se fechar um diagnóstico. É necessário muita observação, pois os sintomas não são muito claros e o diagnóstico pode ser confundido com outros transtornos como TDAH, transtorno de conduta, transtorno desafiador opositivo, ansiedade e etc.

O diagnóstico baseado no DSM-V determina que para ser qualificado com depressão infantil, a criança apresente pelo menos 5 sintomas do DSM-V, sendo que um dos sintomas deve ser humor deprimido em grande parte do dia . O tratamento é através unicamente de psicoterapia, porém se for diagnosticado fator genético ou hereditário o tratamento é feito por psicólogo e psiquiatra.