Ferida aberta e pedido de justiça: paciente desabafa após colocar silicone em Alagoas
Polícia investiga dentista por exercício irregular da profissão e por lesão corporal gravíssima. TV Gazeta ouviu, com exclusividade, uma das vítimas

Lucas Leite com Karla Vilela
13/10/2025 às 20:01 • Atualizada em 13/10/2025 às 22:45 - há XX semanas
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"Eu quero que ela não faça [isso] com mais ninguém, porque eu sei que ela vai querer fazer de novo. Porque ela tá ganhando dinheiro com isso. Que seja feita a justiça", diz Alexandra Gomes, que denunciou uma dentista por aplicar silicone industrial em harmonização corporal nos glúteos.
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Pelo menos cinco pessoas foram vítimas da prática em Alagoas. A TV Gazeta ouviu, com exclusividade, uma das vítimas. Ela contou que ficou com feridas abertas nos glúteos, com secreção, e que sentiu muitas dores.
A Polícia Civil investiga o caso para apurar se houve exercício ilegal da profissão e lesão corporal gravíssima.
Alexandra e outras pacientes precisaram ser internadas para tratar de sequelas e realizar cirurgias reparadores, como a retirada de silicone do local.


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De acordo com a vítima, ela conheceu os serviços da dentista através das redes sociais e, como a profissional mora no mesmo município que ela, em Murici, decidiu realizar o procedimento no fim de agosto.
A aplicação foi feita na casa de Alexandra. Segundo ela, 10 dias após o procedimento, as dores foram começando a aparecer.
Ela contou também que ao avisar que iria procurar um hospital, a dentista teria dito que usou silicone no lugar de polimetilmetacrilato, o PMMA. Para Alexandra, se ela tivesse utilizado o material correto, os problemas não teriam acontecido.
“Na minha visão, se ela tivesse colocado, talvez, o que eu paguei [polimetilmetacrilato, utilizado nesses procedimentos estéticos] não tivesse dado errado. Mas ela colocou silicone, de limpar carro”, comentou a paciente.
Além do caso de Alexandra, a polícia investiga outras denúncias na cidade de Arapiraca, Agreste do estado.
Investigação
A Polícia Civil informou na última terça-feira (7), que uma cirurgiã-dentista, que não teve o nome divulgado, estava sendo investigada pela prática que coloca em risco a vida dos pacientes, causando, inclusive, necrose no local onde o silicone era aplicado.
“As investigações continuam no intuito de identificar a responsabilização criminal dessa profissional, que pode responder por exercício ilegal da Medicina, além de lesão corporal de natureza gravíssima, tendo em vista as lesões causadas às vítimas”, explicou o delegado Edberg Oliveira.
Na quinta-feira (9), a polícia informou também que existem dúvidas se o material aplicado nas vítimas é silicone industrial ou vaselina. O material foi recolhido e encaminhado para a perícia.
"Existe dúvida se era vaselina ou silicone industrial. Estamos empenhados para finalizar o inquérito e responsabilizar todos os envolvidos”, comentou o delegado Matheus Henrique.
Afastamento
Após o caso repercutir, o Conselho Regional de Odontologia de Alagoas (CRO-AL) emitiu uma nota informando que a cirurgiã-dentista estava com o direito de exercer a profissão suspenso preventivamente.
A decisão foi unânime do plenário e é válida por 30 dias, a contar a partir de 6 de outubro. Um processo ético também foi aberto.
Arapiraca
O Hospital Regional Nossa Senhora do Bom Conselho, em Arapiraca, informou que três mulheres deram entrada na unidade após fazer um procedimento estético nos glúteos, realizado pela mesma dentista.
Das três, uma precisou ser transferida para o Hospital Geral do Estado, em Maceió. O estado de saúde dela não foi informado. As outras duas estão realizando tratamento no local e têm o quadro clínico estável.
“São pacientes que a gente precisa realizar avaliações diárias, pelas equipes de cirurgia, bem como avaliação diária, pela equipe de enfermagem. As pacientes, nesse momento, precisam que as lesões sejam liberadas de contaminação, para no segundo momento elas passem por um momento plástico, de reparação”, explicou o diretor-geral do Hospital Regional de Arapiraca, Cristiano Vital.
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