Imagem
Menu lateral
Imagem
GZT 94.1
GZT 101.1
GZT 101.3
MIX 98.3
Imagem
Imagem
GZT 94.1
GZT 101.1
GZT 101.3
MIX 98.3
compartilhar no whatsapp compartilhar no whatsapp compartilhar no facebook compartilhar no linkedin
copiar Copiado!
ver no google news

Ouça o artigo

Compartilhe

HOME > notícias > AFUNDAMENTO DO SOLO

Nos EUA, mina de sal semelhante à da Braskem causou danos em casas

Retsof, em Nova York, abriu buracos gigantes na região – e comprometeu parte das reservas de água; entenda!

Desde 2018, cinco bairros de Maceió vêm sofrendo com o afundamento do solo, devido ao trabalho de extração de sal-gema da Braskem, empresa petroquímica que explora a região.

A situação se agravou nos últimos dias, com o rompimento da mina 18, localizada no Mutange, e que é monitorada pela mineradora. A situação vem sendo acompanhada por autoridades. Nos Estados Unidos, uma mina de sal semelhante à da Braskem colapsou e causou danos em casas e vazamento de metano, o que causa temor.

Leia também

Considerada a maior mina de sal da América do Norte, a 'Retsof', em Nova York, colapsou há quase 30 anos, abrindo buracos que fizeram com que a água subterrânea de aquíferos entrasse nas minas de sal a uma vazão de até 19 mil litros por minuto. Ninguém se feriu, mas o tremor causou danos estruturais em algumas casas, além de abrir espaço para vazamentos de gases metano e sulfeto de hidrogênio na atmosfera.

No Vale do Rio Genesse, a oeste do estado de Nova York, a extração de sal (tanto o de cozinha como o sal-gema) começou nos anos 1880, com a descoberta de jazidas a 300 metros de profundidade no condado de Livingston.

Em 1885, estabeleceu-se a Retsof Mine Company, criada por William Foster Jr. (“Retsof” é seu sobrenome escrito de trás para frente). Foster também fundou uma vila de trabalhadores por lá.

Nas décadas seguintes, Retsof se tornou a maior mina de sal dos EUA – e a segunda maior do mundo. Ela chegou a ocupar uma área de 26 quilômetros quadrados, empregar 325 pessoas e a faturar, na década de 1990, US$ 140 milhões por ano (valor atualizado pela inflação).

Mas tudo mudou em 12 de março de 1994. Às 5:43 da manhã, houve um tremor de magnitude 3.6 na escala Richter em Livingston (e que foi sentido a 480 quilômetros dali). Terremoto? Não: era a parte sul da mina de Retsof, que havia desabado.

Foi uma tragédia anunciada: na manhã anterior ao colapso, autoridades colocaram avisos de cuidado em uma rodovia próxima, devido a solavancos que surgiram na pista. E em novembro de 1993 (quatro meses antes), a parte de Retsof que desabou havia sido fechada por apresentar riscos potenciais.

Inicialmente, 22,5 mil metros quadrados de área cederam, a 365 metros de profundidade. O acidente abriu buracos, que fizeram com que a água subterrânea de aquíferos entrasse nas minas de sal a uma vazão de até 19 mil litros por minuto.

O contato da água com o minério criou uma salmoura (uma água bem salgada), que, com o tempo, contaminou os reservatórios de água potável da região. Ninguém se feriu, mas o tremor causos danos estruturais em algumas casas, além de abrir espaço para vazamentos de gases metano e sulfeto de hidrogênio na atmosfera.

Em abril de 1995, na região sul de Retsof, o epicentro do colapso, surgiu uma cratera com 60 m de diâmetro e 6 m de profundidade. Duas semanas depois, mais tremores – e o buraco aumentou para 180 m de diâmetro. Enquanto as autoridades analisavam o problema, as atividades de extração se concentraram na parte norte de Retsof. O trabalho por lá continuou até setembro; em novembro, toda a mina já havia sido inundada.


				
					Nos EUA, mina de sal semelhante à da Braskem causou danos em casas
Comitê de Rochester para Informação Científica/Reprodução

Quem fim levou?

Em 2006, empresa holandesa Akzo Nobel, administradora da mina, começou a bombear salmoura para fora de Retsof, numa tentativa de dessalinizar a área – e evitar que o aquífero ficasse ainda mais contaminado.

Em 2010, contudo, a Akzo iniciou um acordo com o Departamento de Conservação Ambiental de Nova York e com o condado de Livingston, sob a justificativa de que o esforço seria insuficiente. A empresa gastava US$ 1 milhão anuais com a dessalinização – mas levaria centenas de anos para extrair toda a salmoura dali.

Ficou combinado assim: a Akzo pagou US$ 20 milhões ao governo local. US$ 17 milhões seriam destinados a reparos e manutenções no sistema de água. Os outros US$ 3 milhões seriam usados para monitorar a água subterrânea.

Foi o suficiente? Após a confirmação do acordo, parte dos moradores se disse satisfeita com a quantia da Akzo; outros não. Um relatório sobre o caso, elaborado pelo Serviço Geológico dos EUA em 2013, sugere que o valor relativamente baixo se deve à abundância de água por lá.

Mas o documento também ressalta que isso é relativo. Afinal, eventos climáticos podem comprometer as reservas da região no futuro. E aí pode ter certeza: toda aquela água cheia de sal vai fazer falta.

Sal-gema

O sal-gema é uma variação do sal de cozinha. Em vez do mar, sua extração acontece em poços subterrâneos, a mais de mil metros de profundidade. É um minério bastante usado na indústria química, na fabricação de produtos de limpeza e higiene.

Uma vez abertos, os poços precisam ser preenchidos com uma solução líquida – do contrário, a terra fica parecendo um queijo suíço, cheia de buracos – que enfraquecem o solo. É exatamente o que aconteceu em Maceió: esse líquido vazou – e tornou a região instável.

Não só: acredita-se que parte das minas da Braskem estejam em áreas de falha geológica, o que aumenta as chances de ruptura. A extração foi interrompida em 2019, mas o processo de afundamento do solo se intensificou nas últimas semanas.

Os bairros afetados pelo problema é o Pinheiro, Mutange, Bom Parto, Bebedouro e Farol.

App Gazeta

Confira notícias no app, ouça a rádio, leia a edição digital e acesse outros recursos

Aplicativo na App Store

Relacionadas