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Doença de Parkinson atinge cerca de 200 mil brasileiros por ano

Neurocirurgião da Santa Casa de Maceió esclarece dúvidas sobre a patologia


				Doença de Parkinson atinge cerca de 200 mil brasileiros por ano
Doença de Parkinson atinge cerca de 200 mil brasileiros por ano. Foto: Reprodução

A Doença de Parkinson é uma condição degenerativa, crônica e progressiva que afeta principalmente o sistema nervoso central. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), atinge cerca de 1 a 2% da população mundial acima dos 65 anos, com o risco aumentando conforme a idade. No Brasil, estima-se que cerca de 200 mil pessoas sejam diagnosticadas com a patologia.

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De acordo com o coordenador do Serviço de Neurologia e Neurocirurgia da Santa Casa de Maceió, Aldo Calaça, a fisiopatologia da doença ocorre à medida que a substância negra, material que se comunica com outras áreas do cérebro, perde a capacidade de coordenar movimentos.

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“A Doença de Parkinson tem origem na redução dos neurônios em uma região do tronco cerebral, o que impacta diretamente a produção do neurotransmissor dopamina. Esse processo resulta em disfunções motoras progressivas, como o tremor, a rigidez muscular e a bradicinesia, que é a dificuldade de realizar movimentos”, explica o neurocirurgião.

Os principais sintomas são relacionados aos movimentos do corpo, porém, há outros sinais não motores que podem prejudicar a qualidade de vida. “Nos estágios iniciais, o tremor, muitas vezes de um só lado do corpo, é o sintoma mais comum. No entanto, também podem surgir dificuldades na fala, na escrita e alterações na voz. À medida que a doença avança, ela leva a um quadro cada vez mais debilitante, afetando não só a motricidade, mas também a qualidade de vida do paciente. Por isso, é fundamental que o tratamento seja contínuo, envolvendo fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional para melhorar o bem-estar do paciente”, destacou o especialista.

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Apesar dos avanços no tratamento, o diagnóstico precoce da doença de Parkinson permanece desafiador. Exames de imagem, como tomografia computadorizada e ressonância magnética não conseguem identificar alterações específicas no cérebro de pacientes com a doença, tornando o diagnóstico uma questão clínica. A identificação da patologia só pode ocorrer quando o paciente apresenta sintomas de bradicinesia ( lentidão para execução dos movimentos).

“Quanto mais cedo a manifestação clínica, mais grave tende a ser o prognóstico e o paciente fica muito mais debilitado e com mais limitações numa fase mais jovem, principalmente quando não é acompanhado por um medico especialistas. Pacientes diagnosticados entre 30 e 40 anos têm um prognóstico mais sério e enfrentam mais limitações ao longo da vida”, explica Aldo Calaça.

Em alguns casos, só a medicação não é capaz de controlar os sintomas, podendo ser necessário recorrer ao tratamento neurocirúrgico. A implantação de eletrodos cerebrais profundos é uma opção para estimular determinadas áreas do cérebro, especialmente para o controle do tremor. No entanto, o tratamento deve ser monitorado de perto, com ajustes regulares para garantir a melhor qualidade de vida para o paciente.

Na Santa Casa de Maceió, o diagnóstico e o tratamento de pacientes com Parkinson são realizados com foco tanto no tratamento clínico quanto na reabilitação contínua. “O primeiro procedimento proposto para o paciente é o neurotransmissor dopamina para suprir essa carência em todas as conexões neurais das estruturas relacionadas com a substância negra, com o núcleo da base e com os neurônios também da córtex cerebral que são influenciados indiretamente”, ressalta o especialista.

Além disso, o médico destaca a importância da educação familiar. “A família precisa compreender a doença, o processo evolutivo e as limitações do tratamento, para que o suporte oferecido ao paciente seja o mais eficaz possível”, finaliza Aldo Calaça.

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