SSP destaca redução da violência em AL, mas aponta desafios para os próximos anos
Gazeta Summit debate avanços na segurança e alerta para feminicídio e sensação de insegurança na população

Mariane Rodrigues
31/03/2026 às 11:21 • Atualizada em 31/03/2026 às 14:29 - há XX semanas
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O Gazeta Summit 2050, que aborda, nesta terça-feira (31), a Segurança Pública em Alagoas, levou ao debate, no Centro de Convenções, em Jaraguá, o panorama da violência no Brasil e no estado, com apresentação de dados, tendências e desafios. Sobre o tema, falaram o delegado do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco) da Polícia Civil de Alagoas (PCAL) e mestre em Direitos Humanos com ênfase em Segurança Pública, José Carlos dos Santos, além do especialista em Segurança Pública, com atuação no Ministério da Justiça, André Luís Gossain. O painel foi mediado pelo coronel PM Patrick Madeiro, secretário-executivo de Políticas de Segurança Pública.
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O delegado José Carlos afirmou que a violência em Alagoas tem diminuído ao longo dos últimos dez anos (2015–2025), com uma queda de 44% no número de homicídios, em comparação a 31% de redução em todo o Brasil no mesmo período. A autoridade policial enfatizou, ainda, que houve uma redução de 12% na quantidade de assassinatos em Alagoas entre 2024 e 2025, frente a 10% no país.
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Além dos homicídios, o delegado apontou redução nos crimes de roubo contra o patrimônio, como instituições financeiras, veículos, cargas e celulares. Segundo José Carlos, os números indicam que as políticas de segurança pública em Alagoas têm seguido o “caminho certo”. No entanto, crimes como o feminicídio têm preocupado as autoridades, pois, ao contrário de outros, vêm aumentando em todo o país. “É uma pauta muito cara para nós. E isso não deixa de ser um desafio para os próximos anos”, complementou.
José Carlos traçou ainda um breve retrato da Segurança Pública no país. Para ele, houve uma “virada de chave” das autoridades em relação ao tema em 2015, em Alagoas, durante o governo de Renan Filho, que implementou modelos bem-sucedidos em outras localidades. No Brasil, essa mudança ocorreu em 2018, após a divulgação dos dados sobre a quantidade de homicídios registrados dois anos antes: 62 mil mortes violentas intencionais.


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Foi naquele ano, lembra ele, que foram criados mecanismos como o Sistema Único de Segurança Pública e o Fundo Nacional de Segurança Pública, no âmbito do Ministério da Justiça.
Apesar dos desafios, o mestre em Direitos Humanos com ênfase em Segurança Pública destaca que a tendência é de redução nas estatísticas de violência. “A Segurança Pública é um tema que toca as pessoas. Ela tem sido apontada nas pesquisas eleitorais como a principal preocupação do brasileiro. Acredito que as polícias vão continuar buscando mais eficiência e alcançar melhores resultados”, afirmou.
O delegado aponta três desafios que o setor precisa enfrentar. O primeiro é tornar esses números de redução mais consistentes, prolongando a diminuição ao longo dos anos, levando não apenas a polícia para os territórios de maior violência, mas também outros “remédios”, como saúde, educação e assistência social.
O segundo ponto é promover maior sensação de segurança na população. “Estamos evoluindo e vencendo batalhas importantes, mas as pessoas não estão sentindo isso, e talvez esse seja o nosso desafio”, afirmou, ressaltando que fazer com que a população confie nos dados e no sistema criminal é um obstáculo enfrentado pelo setor.
O terceiro ponto enfatizado pelo delegado da Dracco é a importância de preservar o Estado Democrático de Direito. “Não precisamos abrir mão dos fundamentos da República. Os criminosos são bárbaros, mas não precisamos nos equiparar a eles para vencer, pois temos capacidade técnica para combater essa criminalidade”, destacou.
A descapitalização das organizações criminosas também foi um ponto discutido no painel. Para o delegado José Carlos, não adianta a Segurança Pública prender os integrantes e manter a estrutura financeira dessas organizações.
“A investigação criminal tem que provar que houve o delito, quem é o autor do fato e quais bens foram construídos com a atividade criminosa, porque temos que deixá-lo em situação pior do que estava no crime”, afirmou, destacando que, sem o bloqueio do sistema financeiro das facções, o trabalho da polícia será em vão.
Ele salienta que as leis evoluíram para permitir essa descapitalização, favorecendo o Estado. “Passamos a utilizar, para o bem, aeronaves, veículos e equipamentos que antes eram usados para estruturar o crime”, finalizou.