Segurança Pública reúne especialistas e promove debate de alto nível sobre a realidade da área no estado
Combate a facções e organizações criminosas, investimentos em estrutura e equipamentos e dados da redução da violência foram apresentados pelas autoridades durante o evento

31/03/2026 às 14:11 • Atualizada em 31/03/2026 às 15:25 - há XX semanas
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A Organização Arnon de Mello (OAM) realizou, nesta terça-feira (31), mais uma edição do Gazeta Summit Alagoas 2050. Desta vez, o tema abordado foi Segurança Pública. Com a presença de autoridades, especialistas no assunto e membros das corporações, o evento trouxe debates importantes a respeito do presente e do futuro da segurança pública no estado, além de apontar dados, investimentos e estratégias de combate ao crime.
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O diretor executivo da OAM, Luís Amorim, deu as boas-vindas aos presentes, destacando a relevância do tema abordado nesta edição do evento. “Mais do que discutir problemas, buscamos aqui contribuir com caminhos, experiências e reflexões que fortaleçam políticas públicas mais eficazes e integradas”, afirmou.
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A palestra magna de abertura ficou por conta do secretário de Segurança Pública de Alagoas, Flávio Saraiva. Com o tema “Segurança Pública como Política de Estado: integração, tecnologia e resultados”, ele apresentou os dados positivos referentes à redução da criminalidade em Alagoas, que chegou a quase 60% quando comparada a 2012, e citou os investimentos feitos na área ao longo dos últimos anos, um total de mais de R$ 800 milhões aplicados em estrutura e equipamentos.
Após a apresentação do secretário, teve início o primeiro painel, que abordou o tema “Políticas e estratégias de Segurança Pública – Panorama da violência no Brasil e em Alagoas: dados, tendências e desafios” e contou com a participação do especialista em segurança pública, com atuação no Ministério da Justiça, André Luís Gossain, e do delegado da Dracco/Deccor da Polícia Civil de Alagoas, José Carlos dos Santos, com mediação do secretário-executivo de Políticas de Segurança Pública, coronel PM Patrick Madeiro.


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André Luís, que também atua em áreas estratégicas de combate ao crime organizado e inteligência policial, descreveu Alagoas como um estado de referência no enfrentamento à criminalidade. Durante a palestra, ele apresentou conceitos importantes para compreender a problemática do domínio das organizações criminosas sobre os territórios, exercido por meio da violência e, consequentemente, sobre os moradores dessas localidades.
“Você não tem direito de ir e vir. Se coloca um Waze e entra em uma comunidade conflagrada, você perde esse direito. Ponto dois: se há uma facção dominando, é porque o Estado não está presente. E, assim, o Estado Democrático de Direito é comprometido. E, terceiro: para que o território seja dominado por uma facção, é porque ela utiliza violência não autorizada”, explicou o especialista.
Na ocasião, o delegado José Carlos citou, entre outros pontos, a necessidade de descapitalização das organizações criminosas, destacando que não adianta a Segurança Pública prender os integrantes e manter a estrutura financeira dessas organizações. “A investigação criminal tem que provar que houve o delito, quem é o autor do fato e quais bens foram construídos com a atividade criminosa, porque temos que deixá-lo em situação pior do que estava no crime”, afirmou, ressaltando que, sem o bloqueio do sistema financeiro das facções, o trabalho da polícia será em vão.
O segundo painel do evento teve como tema “Crime organizado e domínio territorial: como operam as facções criminosas” e contou com a participação do policial militar do Rio de Janeiro, tenente-coronel PM Nascimento Ferreira, com experiência em operações contra organizações criminosas e disputas territoriais, além da mediação do chefe de Inteligência da SSP/AL, coronel Raumário Jerônimo.
O tenente-coronel Nascimento apresentou um panorama do surgimento das facções criminosas, ainda dentro dos presídios, passando pela expansão territorial impulsionada pelo tráfico de drogas e chegando ao momento atual, marcado por confronto direto com o Estado, com a criação de barricadas e domínio de áreas.
“Hoje temos locais onde o crime impõe regras e desafia o Estado. O novo campo de batalha não é apenas o espaço físico, mas também a mente das pessoas”, afirmou, ao citar a influência sobre a população e a necessidade de estratégias integradas por parte das forças de segurança.
No terceiro painel do evento, o delegado de Polícia do Rio Grande do Sul, Cristiano Ribeiro Ritta, fez uma abordagem sobre o uso da tecnologia e inovação no combate ao crime, destacando como fundamental o uso da Inteligência Artificial (IA) para dar mais agilidade às investigações. “A IA liberta o policial para fazer o que só ele pode fazer”, disse.
Ritta enfatizou que a análise de dados se tornou um dos principais pilares da investigação criminal moderna. Como exemplo, ele citou um estudo feito a partir de boletins de ocorrência no Rio Grande do Sul, que identificou que cerca de 30% dos registros de feminicídio não informavam a relação entre autor e vítima — uma lacuna que dificulta a formulação de políticas públicas.
Para enfrentar esse tipo de problema, o delegado desenvolveu soluções tecnológicas dentro da própria corporação, como as chamadas “escrivãs digitais”, um aplicativo que auxilia policiais durante o registro de ocorrências. A ferramenta utiliza IA para identificar ausência de dados relevantes, sugerir perguntas durante interrogatórios e apontar linhas preliminares de investigação.
O painel contou ainda com a participação dos sargentos PM Tarcísio Lopes e Larissa Artemis, da Chefia Especial de Inteligência da SSP/AL (CHEISP), com mediação do professor do Instituto de Computação da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Bruno Nogueira.
O evento foi encerrado com o painel “Para além do papel: o balanço da Lei do Feminicídio e o desafio da equidade na segurança pública brasileira”, conduzido pela sargento da Polícia Militar de Alagoas, Josivânia Mendonça, com mediação do coronel PM Raumário Jerônimo.
“Falar de feminicídio na atualidade é tratar de um tema de grande repercussão em Alagoas e no Brasil. Apesar das políticas públicas e da atuação da Patrulha Maria da Penha, o grande dilema ainda é o aumento dos casos. A regulamentação e o aumento das penas são importantes, mas não resolvem o problema. O feminicídio, muitas vezes, acontece no ambiente privado e é movido por impulso. O agressor não pensa na punição naquele momento. Por isso, trabalhar apenas com o endurecimento da lei nunca será suficiente para combater esse tipo de crime”, afirmou a sargento.
O Gazeta Summit é um evento que vem sendo realizado pela OAM desde 2024. De lá para cá, diversos temas já foram abordados, como mobilidade, primeira infância, água, mulher, indústria, comércio e serviços.

















