Conferência destaca avanço do SUS Digital e aponta caminhos para integrar dados e ampliar acesso à saúde
Durante o Summit Alagoas 2050, Alessandra Dahmer apresentou os desafios e conquistas da transformação digital

A transformação digital na saúde pública brasileira ganhou destaque nesta terça-feira (26), durante o Summit Alagoas 2050 – Saúde Digital, promovido no Centro de Convenções de Maceió. Em conferência on-line direto de Brasília, a coordenadora-geral de Monitoramento e Avaliação em Saúde Digital do Ministério da Saúde, Alessandra Dahmer, conduziu um momento de interação com o público ao abordar o tema “Transformação digital na Saúde Pública: do acesso aos serviços à inteligência do cuidado”.
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A coordenadora falou sobre um dos pilares constitucionais da saúde no Brasil: o Sistema Único de Saúde (SUS) como direito de todos e dever do Estado. Nesse contexto, destacou a criação do Sistema Nacional de Informações em Saúde, que, ao longo dos anos, reuniu uma vasta quantidade de dados — desde registros de nascimento e óbitos até prontuários eletrônicos e notificações de doenças.
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Apesar da riqueza dessas informações, Dahmer apontou que, antes da evolução digital, o país enfrentava um cenário altamente fragmentado. “Eram mais de 400 sistemas distintos, com grandes volumes de dados, mas sem padronização e com pouca comunicação entre si”, explicou. O principal desafio, segundo ela, passou a ser justamente a desfragmentação dessas bases.
Um marco importante nesse processo foi a reestruturação do Ministério da Saúde em 2023, durante a gestão da ministra Nísia Trindade, com a criação da Secretaria de Informação e Saúde Digital (Seidigi). A iniciativa trouxe maior governança e integração às ações digitais da pasta.


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Na sequência, em março de 2024, foi instituído o SUS Digital, considerado um dos principais avanços na área. O programa tem como objetivo promover a transformação digital no sistema de saúde, ampliando o acesso da população aos serviços e fortalecendo princípios como integralidade, continuidade do cuidado, equidade e qualidade no atendimento.
A coordenadora destacou que o SUS Digital prevê uma forte articulação entre União, Estados e municípios, além de garantir diagnósticos situacionais da rede de atenção, criação do Índice Nacional de Maturidade da Saúde Digital e elaboração de planos de ação. “Houve adesão de 100% dos Estados e municípios, o que demonstra o engajamento coletivo com essa transformação”, ressaltou.

Entre as principais ações, estão a expansão do prontuário eletrônico, a integração dos sistemas de informação e o acesso do cidadão aos próprios dados de saúde. A proposta é garantir interoperabilidade, ou seja, permitir que diferentes sistemas “conversem”, reduzindo duplicidades e tornando o cuidado mais eficiente.
Nesse cenário, a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) foi apontada como peça-chave. A plataforma já reúne mais de 5 bilhões de registros, incluindo exames laboratoriais, vacinas, atendimentos clínicos e dispensação de medicamentos. “Estamos construindo um Brasil conectado, que fala a mesma língua digital”, afirmou Dahmer.
Criada inicialmente para concentrar dados relacionados à Covid-19, a RNDS evoluiu e hoje é considerada a principal plataforma nacional de integração de informações em saúde.
Outro destaque foi o lançamento, em 2025, das plataformas do SUS Digital voltadas a diferentes públicos: cidadão, profissional e gestor. Entre elas, o aplicativo Meu SUS Digital, que já reúne mais de 30 funcionalidades e permite acesso a serviços e informações de saúde; a Caderneta Digital da Criança, que acompanha a jornada de cuidado desde os primeiros anos de vida; e o SUS Profissional Digital, que expandiu significativamente sua cobertura — de 2 mil estabelecimentos em 2023 para cerca de 60 mil atualmente, incluindo agora hospitais.

A coordenadora citou, ainda, o SUS Digital Gestor, que oferece suporte para gestores municipais e estaduais, com dados territoriais e integração de informações da saúde complementar, auxiliando na tomada de decisões.
Dahmer também apresentou iniciativas voltadas à inovação, como o Laboratório InovaSUS Digital e projetos que envolvem inteligência artificial, incluindo a participação do Brasil na revisão da Estratégia Brasileira de IA. Entre os exemplos, citou o desenvolvimento do primeiro Hospital Público Inteligente do país, em parceria com a Universidade de São Paulo (USP).
Apesar dos avanços, a coordenadora destacou desafios importantes, como a necessidade de garantir transparência, capacitação profissional, gestão de riscos, proteção de dados, infraestrutura adequada e sustentabilidade. “A inteligência artificial precisa ser ética, com soberania digital, acesso equitativo e responsabilidade no uso dos dados”, pontuou.
O Summit Alagoas 2050 – Saúde Digital reuniu especialistas, gestores e representantes do setor para discutir soluções e perspectivas para a saúde pública. A programação incluiu painéis sobre acesso digital à atenção básica, tecnologia, mercado e propostas de melhorias para o sistema de saúde.

