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Jogadores cospem água para aliviar a sede sem sobrecarregar o estômago

Hábito visto em campo pode aliviar a sede, reduzir o desconforto e até fazer parte de uma estratégia de hidratação


				Jogadores cospem água para aliviar a sede sem sobrecarregar o estômago
Arte/Metrópoles


Nem sempre a cena passa despercebida: no meio do jogo, o atleta leva a garrafa à boca, faz um gole e, em vez de engolir, cospe a água ou o isotônico no gramado. O gesto, comum no futebol e em outras modalidades, costuma gerar estranhamento entre torcedores, mas tem explicação.

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Em muitos casos, ele está ligado à hidratação, ao conforto durante o esforço físico e até a estratégias usadas no esporte de alto rendimento.

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Embora pareça desperdício, cuspir a bebida não significa necessariamente que o jogador esteja recusando líquidos. Dependendo do momento da partida, a prática pode servir para umedecer a boca, aliviar a sensação de sede ou estimular o organismo sem sobrecarregar o estômago.

O ponto central, porém, é que esse recurso não substitui a hidratação adequada, especialmente em jogos longos, intensos e disputados sob calor.

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Quando cuspir pode fazer sentido

A prática costuma aparecer em momentos de maior intensidade do jogo, quando o atleta quer evitar desconfortos gastrointestinais, como sensação de estômago cheio, refluxo ou náusea. Isso porque beber grandes volumes de líquido de uma vez, especialmente perto de sprints e explosões físicas, pode pesar no corpo e atrapalhar a performance. Nesses casos, umedecer a boca ou fazer o enxágue pode ser uma alternativa pontual.

Ainda assim, a estratégia tem limites. Se a bebida é cuspida, o organismo deixa de absorver água, eletrólitos e carboidratos, o que reduz o benefício metabólico. Para o nutricionista esportivo Fernando Castro, que atende em Brasília, a prática pode até ter alguma utilidade específica, mas está longe de ser a melhor saída na maior parte das situações.

“Na maioria dos cenários esportivos, considero mais vantajoso realizar uma hidratação e suplementação adequadas do que depender apenas do enxágue bucal”, diz Castro.

O gesto pode funcionar como um recurso complementar, mas não como base da reposição durante a partida. Isso vale ainda mais no futebol, em que a perda de líquidos pelo suor é alta e a desidratação acima de 2% da massa corporal já pode comprometer o desempenho físico, a recuperação e até aumentar o risco de mal-estar gastrointestinal.

Cuspir não substitui a hidratação

A hidratação de um jogador começa antes mesmo do apito inicial. O ideal é que o atleta já entre em campo bem hidratado, com reposição planejada de água, eletrólitos e, quando necessário, carboidratos. Ao longo do jogo, a estratégia varia conforme a intensidade da partida, a duração do esforço, a taxa de suor de cada pessoa e as condições climáticas, como calor e umidade.

Por isso, não existe uma regra única para todos os atletas. Alguns toleram melhor goles pequenos e frequentes; outros precisam testar volumes, temperaturas e tipos de bebida nos treinos antes de levar a estratégia para a competição.

Esse treinamento da hidratação é parte do alto rendimento e ajuda a evitar tanto a desidratação quanto o desconforto digestivo em momentos decisivos do jogo.

Quando um jogador cospe a água ou o isotônico em campo, isso não quer dizer, necessariamente, que ele esteja desperdiçando a bebida ou fugindo da reposição. Em muitos casos, é uma resposta prática às exigências do esforço intenso.

Enxágue com carboidratos

Durante exercícios de alta intensidade, o corpo passa por uma série de ajustes para manter o desempenho. O sangue é direcionado principalmente para os músculos e para a pele, ajudando na produção de energia e no controle da temperatura corporal. Com isso, o sistema digestivo perde prioridade temporariamente, o que pode dificultar a digestão e a absorção de líquidos em pleno esforço.

Segundo o médico do esporte Anderson Clayton Sant’Anna, da plataforma de consultas médicas INKI Corporate, em situações extremas o fluxo sanguíneo para o trato gastrointestinal pode cair drasticamente. Nesses casos, pode acontecer o enxágue bucal com carboidrato.

Nela, o atleta coloca na boca uma bebida com carboidrato, deixa o líquido em contato com a cavidade oral por alguns segundos e depois cospe. Estudos citados por especialistas mostram que esse contato pode ativar receptores na boca e enviar sinais ao cérebro ligados à motivação, recompensa e percepção de esforço, gerando um efeito discreto no rendimento mesmo sem ingestão efetiva.

“O enxágue bucal com carboidrato é apenas uma ferramenta adicional dentro de uma estratégia completa de nutrição e hidratação esportiva”, afirma.

No futebol profissional, desempenho, recuperação e saúde dependem de uma estratégia completa de hidratação e alimentação, ajustada ao corpo e à rotina de cada atleta. Cuspir a bebida pode até ter função em alguns momentos, mas não passa de um recurso pontual em um jogo em que o corpo exige muito mais do que um gole pela metade.

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