Altitude será o 'maior rival' da Inglaterra em duelo decisivo da Copa
Seleção inglesa terá pouco tempo para se adaptar aos mais de 2.200 metros acima do nível do mar

A Inglaterra terá um desafio além do México nas oitavas de final da Copa do Mundo. No domingo (5), a equipe comandada por Thomas Tuchel volta a atuar no Estadio Azteca após 40 anos e precisará lidar com os efeitos da altitude da Cidade do México, localizada a 2.240 metros acima do nível do mar. Em entrevista à "BBC Sports", a condição é apontada por especialistas e ex-jogadores como um fator capaz de influenciar o rendimento físico, a tomada de decisões e até o comportamento da bola durante a partida.
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Menos oxigênio e mais desgaste
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Na altitude do Azteca, a pressão atmosférica é menor, fazendo com que o organismo absorva menos oxigênio a cada respiração. Como consequência, os atletas tendem a apresentar aumento da frequência cardíaca, falta de ar, desidratação e fadiga mais rápida durante a partida.
Segundo o pesquisador Barney Wainwright, da Leeds Beckett University, o impacto pode ser significativo para equipes que não estão acostumadas às condições.


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— A capacidade aeróbica máxima costuma cair cerca de 10% nessa altitude, e isso afeta diretamente o desempenho. Também esperamos um aumento de 15% a 20% na fadiga, enquanto a distância percorrida pode diminuir entre 5% e 10%. Os jogadores acumulam lactato mais rapidamente, o que acelera o desgaste muscular e dificulta a recuperação após os sprints — explicou. O especialista também destaca que o menor nível de oxigênio pode afetar a concentração dos atletas.
— Precisamos de oxigênio no cérebro para percepção e tomada de decisão. Nos momentos de maior intensidade, isso pode influenciar escolhas importantes durante o jogo.

Pouco tempo para adaptação
O cenário é ainda mais desafiador porque a Inglaterra chegará à Cidade do México apenas dois dias antes da partida. Especialistas afirmam que o ideal seria permanecer entre uma e duas semanas em altitude para que o organismo produzisse mais glóbulos vermelhos e se adaptasse às condições.
— É uma questão de minimizar os danos. Alguns jogadores podem quase não sentir os efeitos, enquanto outros terão dificuldades para respirar e até para dormir. Imagino que veremos muitas substituições no segundo tempo — afirmou Wainwright.

Ex-jogadores relatam dificuldades
Quem já atuou no Azteca garante que os efeitos são sentidos rapidamente. O ex-volante inglês Nigel Reo-Coker, que disputou a final da Liga dos Campeões da Concacaf pelo Montreal Impact em 2015, classificou o estádio como o local mais exigente fisicamente em que jogou.
— Foi o lugar mais desgastante em que joguei futebol. Você simplesmente não consegue recuperar o fôlego. Nos primeiros 45 ou 55 minutos, você está tentando respirar o tempo todo. É preciso ser inteligente, escolher bem os momentos para acelerar.
O ex-zagueiro canadense Jason de Vos, que também enfrentou o México no Azteca, destacou que até a trajetória da bola muda em razão do ar mais rarefeito.
— O jogo fica muito mais rápido do que você imagina. Os goleiros sofrem mais porque a bola ganha velocidade, principalmente em cruzamentos e chutes de longa distância. Como treinador, você precisa adaptar a estratégia. Não dá para pressionar o jogo inteiro.

Vantagem para o México
Acostumado às condições da capital mexicana, o México costuma transformar a altitude em um aliado. Desde que passou a atuar regularmente no Azteca, em 1966, a seleção mexicana perdeu apenas duas partidas oficiais no estádio e segue invicta em jogos de Copa do Mundo disputados no local. O ex-capitão mexicano Pavel Pardo acredita que esse fator pesa psicologicamente durante as partidas.
— Você percebe pela linguagem corporal do adversário, principalmente no segundo tempo. Eles ficam sem fôlego, começam a cansar e você sente que é a hora de aproveitar. A altitude definitivamente nos dá uma vantagem.
