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HOME > blogs > RAPHA FALCÃO
Imagem ilustrativa da imagem Precisamos falar sobre o Claude: a IA está deixando de responder perguntas para começar a trabalhar com você

BLOG DO
Rapha Falcão

Precisamos falar sobre o Claude: a IA está deixando de responder perguntas para começar a trabalhar com você

Durante boa parte da popularização da inteligência artificial generativa, o uso dessas ferramentas ficou concentrado em tarefas relativamente simples. Escrever uma legenda, resumir um texto, criar uma apresentação, responder um e-mail ou organizar algumas ideias rapidamente passou a fazer parte da rotina de milhões de profissionais.


				Precisamos falar sobre o Claude: a IA está deixando de responder perguntas para começar a trabalhar com você

Esse primeiro ciclo foi importante porque mostrou que a IA poderia reduzir tempo de execução e democratizar atividades que antes exigiam mais conhecimento técnico ou mais horas de trabalho. Mas ele também criou uma percepção limitada sobre o potencial dessas ferramentas.

Muita gente ainda usa inteligência artificial como se ela fosse apenas uma caixa de texto mais inteligente.

Você faz uma pergunta, recebe uma resposta e encerra a interação.

O movimento mais interessante do mercado em 2026 é justamente a tentativa de romper com essa lógica. Ferramentas como o Claude mostram que a próxima fase da IA não será definida apenas pela qualidade das respostas, mas pela capacidade de participar de processos mais longos, carregar contexto, executar tarefas e se adaptar à forma como uma pessoa ou empresa trabalha.

É por isso que vale prestar atenção no que a Anthropic está construindo.

O Claude começou como chatbot, mas está sendo posicionado como ambiente de trabalho

Claude é a plataforma de inteligência artificial desenvolvida pela Anthropic, empresa de pesquisa e segurança em IA criada em 2021 por um grupo que incluía antigos integrantes da OpenAI. Hoje, a própria Anthropic descreve Claude como uma plataforma voltada para tarefas de linguagem, raciocínio, análise e trabalhos complexos.

Reduzir o Claude a “mais um concorrente do ChatGPT”, portanto, começa a ser uma descrição incompleta.

A disputa entre as grandes empresas de IA está migrando da capacidade de conversar para a capacidade de executar trabalho real. Isso aparece com bastante clareza na evolução recente dos produtos da Anthropic.

Em vez de oferecer apenas um campo para perguntas e respostas, a empresa passou a construir recursos que permitem ensinar procedimentos ao modelo, conectá-lo ao ambiente de trabalho e delegar tarefas de múltiplas etapas.

Essa mudança parece pequena quando vista como uma sequência de funcionalidades. Estratégicamente, ela é muito maior.

Estamos começando a sair da era do prompt isolado para entrar na era do sistema de trabalho com IA.

Skills apontam para uma IA que aprende a maneira como você trabalha

Um bom exemplo são as Agent Skills.

Segundo a Anthropic, Skills são conjuntos organizados de instruções, scripts e recursos que ensinam Claude a realizar determinados tipos de tarefa. Além das Skills prontas, usuários e empresas podem criar habilidades personalizadas para seus próprios processos.

A diferença prática é importante.

No uso tradicional de IA, boa parte do trabalho depende de explicar novamente o contexto, montar prompts extensos ou corrigir o comportamento do modelo a cada nova conversa.

Com Skills, uma organização pode transformar conhecimento operacional em uma capacidade reutilizável.

Imagine uma agência que possui um método específico para analisar campanhas. Em vez de explicar esse processo inteiro sempre que quiser uma análise, ela pode estruturar a lógica como uma Skill. O mesmo pode ser feito com produção de documentos, análise de conteúdo, pesquisa, criação de apresentações ou fluxos internos.

Isso aproxima a IA de algo muito mais valioso para empresas: padronização.

Porque produtividade não cresce apenas quando uma tarefa fica mais rápida. Ela cresce quando um processo pode ser repetido com qualidade e menos dependência de esforço manual.

Cowork muda a relação entre usuário e inteligência artificial

Outro movimento importante é o Claude Cowork.

A própria Anthropic define Cowork como um modo de Claude que vai além do chat e permite delegar trabalhos reais de várias etapas, utilizando contexto de ferramentas, navegador e documentos. A empresa também apresenta o recurso como uma forma de iniciar uma tarefa no computador e acompanhar sua execução posteriormente, inclusive por outros dispositivos.

Essa é uma mudança conceitual importante.

Em um chatbot tradicional, a IA espera constantemente pelo próximo comando.

Em um sistema mais agentivo, o usuário pode definir um objetivo e acompanhar uma sequência maior de trabalho.

Por exemplo, organizar materiais de um projeto, buscar informações em fontes disponíveis, estruturar documentos, preparar uma apresentação ou trabalhar com arquivos presentes no ambiente do usuário.

A IA deixa de participar apenas do momento da pergunta e começa a entrar no fluxo operacional.

Para negócios, esse talvez seja um dos movimentos mais relevantes de toda essa nova geração de ferramentas.

Porque a grande promessa da inteligência artificial nunca foi apenas escrever textos mais rapidamente. Sempre foi reduzir a quantidade de trabalho operacional necessário para transformar uma intenção em resultado.

Claude Code mostra que automação não será território exclusivo dos programadores

Claude Code nasceu com foco em desenvolvimento de software. Ele consegue compreender bases de código, editar arquivos, executar comandos, desenvolver funcionalidades e automatizar diferentes tarefas relacionadas a programação.

À primeira vista, isso pode parecer relevante apenas para desenvolvedores.

Mas existe uma consequência mais ampla.

A inteligência artificial está reduzindo a distância entre pessoas que conhecem um problema e pessoas capazes de construir uma solução técnica para ele.

Isso não significa que programação tenha se tornado desnecessária nem que qualquer pessoa consiga desenvolver sistemas complexos sem conhecimento. Significa que parte da barreira técnica está diminuindo.

Um profissional de marketing, por exemplo, pode conseguir participar muito mais ativamente da criação de pequenas automações, manipulação de dados ou protótipos que anteriormente dependeriam integralmente de uma equipe técnica.

Para pequenas empresas, essa mudança pode ser ainda mais relevante.

Muitos processos que nunca seriam automatizados porque não justificariam contratar um desenvolvedor podem começar a ser resolvidos com auxílio dessas ferramentas.

A Anthropic já está explicitamente levando essa lógica para o mercado empresarial, inclusive com ofertas voltadas a pequenas empresas e fluxos prontos conectados às ferramentas que elas já utilizam.

O verdadeiro salto não está no modelo. Está no comportamento de quem usa

É fácil transformar a discussão sobre inteligência artificial em uma competição entre marcas.

Qual é melhor?

Claude ou ChatGPT?

Qual escreve melhor?

Qual programa melhor?

Qual raciocina melhor?

Essas comparações têm utilidade, mas podem esconder uma mudança mais importante.

O diferencial competitivo não estará simplesmente em escolher uma plataforma vencedora.

Estará em mudar a maneira como a IA é incorporada ao trabalho.

Uma pessoa que usa a melhor inteligência artificial disponível apenas para escrever legendas continua utilizando uma tecnologia extremamente sofisticada para uma tarefa relativamente básica.

Enquanto isso, outra pessoa pode usar a mesma categoria de tecnologia para organizar conhecimento, criar processos, analisar dados, automatizar operações e acelerar decisões.

As duas estão “usando IA”.

Mas estão jogando jogos completamente diferentes.

A próxima vantagem competitiva será transformar conhecimento em sistemas

Essa talvez seja a consequência mais interessante de recursos como Skills, Cowork e Claude Code.

Durante décadas, boa parte do conhecimento de uma empresa ficou armazenado na cabeça de pessoas.

Um funcionário sabia como fazer uma determinada análise. Outro entendia como montar uma proposta. Outro conhecia o processo para organizar um lançamento.

Quando essas pessoas não estavam disponíveis, parte da operação perdia eficiência.

A IA começa a criar uma possibilidade diferente: transformar parte desse conhecimento em sistemas reutilizáveis.

Isso muda a discussão sobre produtividade.

A empresa deixa de perguntar apenas:

“Como faço essa tarefa mais rápido?”

E começa a perguntar:

“Como faço para não precisar reconstruir esse processo todas as vezes?”

Essa é uma pergunta muito mais poderosa.

O erro agora é continuar usando IA apenas como gerador de conteúdo

O primeiro contato de muitos profissionais com inteligência artificial aconteceu pela criação de textos.

Por isso, é natural que o uso continue concentrado em legendas, roteiros, posts, e-mails e respostas rápidas.

Essas aplicações continuarão úteis.

Mas elas representam apenas uma pequena parte do potencial da tecnologia.

O movimento de empresas como a Anthropic mostra que a IA está avançando para uma camada mais profunda da operação: entender contexto, manipular arquivos, trabalhar entre ferramentas, executar tarefas e repetir processos.

A pergunta mais relevante para empresários e profissionais deixa de ser “qual prompt eu devo usar?” e passa a ser “qual parte do meu trabalho pode ser transformada em um sistema assistido por IA?”.

Essa mudança de pergunta altera completamente o resultado.

O Claude é interessante menos pelo que ele responde e mais pelo que sinaliza

É cedo para afirmar qual empresa dominará a próxima fase da inteligência artificial. O mercado muda rápido demais para conclusões desse tipo.

Mas o Claude merece atenção porque representa muito bem a direção dessa transformação.

A própria Anthropic vem ampliando Claude para além do chat, com recursos orientados à execução, desenvolvimento, integrações e trabalho de múltiplas etapas.

Isso mostra que a próxima onda da IA provavelmente não será apenas uma disputa por modelos que respondem melhor.

Será uma disputa por sistemas que trabalham melhor.

E para quem está do outro lado da tela, o desafio também muda.

Não basta aprender a pedir.

Será preciso aprender a delegar, estruturar processos, definir critérios e decidir onde a inteligência artificial realmente pode aumentar capacidade.

No fim, o mercado talvez não seja dividido entre quem usa IA e quem não usa.

A divisão mais importante será entre quem usa inteligência artificial como atalho para tarefas e quem consegue transformá-la em infraestrutura para trabalhar melhor.

O Claude é apenas uma das plataformas puxando essa mudança.

Mas a mudança já começou.