Alagoas ainda tem uma das maiores taxas de analfabetismo do país. Mas os números mais recentes do IBGE mostram uma mudança importante de trajetória: o Estado deixou de ser lanterna isolada do analfabetismo no Brasil.
Esse foi o tema do comentário de hoje.
Segundo a PNAD Contínua Educação, Alagoas reduziu a taxa de analfabetismo entre pessoas de 15 anos ou mais de 18,3% em 2016 para 13,1% em 2025. A queda foi de 5,2 pontos percentuais, acima da redução registrada no Nordeste, no Brasil e no Piauí.
O Piauí também fechou 2025 com taxa de 13,1%. A diferença é que Alagoas partiu de uma situação pior e reduziu mais. Em 2016, os piauienses tinham 16,2% de analfabetismo, enquanto Alagoas aparecia com 18,3%.
O dado não autoriza euforia. Alagoas continua muito acima da média nacional, que ficou em 4,9%. Mas também não pode ser ignorado. Depois de décadas carregando um dos piores indicadores educacionais do país, o Estado começa a virar uma página.
Parte desse avanço passa por políticas voltadas para quem ficou fora da escola. É o caso do Vem que Dá Tempo, programa criado em Alagoas por Rafael Brito quando comandava a Secretaria de Estado da Educação.
O programa busca jovens e adultos que abandonaram os estudos, oferece curso preparatório, certificação do ensino fundamental e incentivo financeiro para quem cumpre os critérios e é aprovado. Segundo a Seduc, desde o início da iniciativa, em 2022, mais de 100 mil pessoas já foram beneficiadas.
Nenhum programa explica sozinho a redução do analfabetismo. Educação depende de muitos fatores: alfabetização na idade certa, permanência na escola, EJA, busca ativa, transporte, renda, gestão e continuidade das políticas públicas.
Mas o Vem que Dá Tempo atua justamente em uma das áreas mais difíceis: adultos que romperam o vínculo com a escola e precisam de uma nova oportunidade para concluir uma etapa básica da formação.
No comentário, também trato do desafio que permanece. Entre pessoas com 60 anos ou mais, Alagoas ainda tem taxa elevada de analfabetismo, de 35,1%. Isso mostra que o problema é também uma herança social, resultado de gerações que ficaram fora da escola.
A boa notícia é que a curva mudou. Alagoas ainda está entre os piores, mas já não está parado no mesmo lugar.
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