O Tema de Hoje é um show de desinformação. A polêmica começou com a chegada a Arapiraca de uma locomotiva que será usada nos testes da linha do futuro VLT. Parte da imprensa informou que os “vagões do VLT” haviam chegado à cidade. Não era isso. O próprio Ministério dos Transportes já havia explicado, ainda em julho, que primeiro chegaria um trem adaptado para os testes da malha ferroviária. As composições novas, destinadas ao transporte de passageiros, ainda estão em fabricação.
JHC recebeu um vídeo de um morador questionando se aquele equipamento antigo seria o VLT prometido e reproduziu a dúvida nas redes. O ministro dos Transportes, George Santoro, reagiu e explicou que se tratava de uma litorina usada para testes técnicos e de segurança, e não dos novos trens que vão transportar passageiros.
A discussão poderia ter terminado aí, com informação. Não terminou. George Santoro partiu para o ataque político contra JHC. JHC respondeu atacando o ministro. Renan Filho entrou na discussão e chamou o adversário de “candidato fake news”, dizendo que JHC estaria mentindo sobre o projeto. E o que era uma informação simples virou uma grande confusão.
O fato é este: existe um projeto de VLT para Arapiraca, com investimento estimado em R$ 200 milhões e cerca de 15 quilômetros de linha. As obras estavam com 63% das etapas concluídas em julho. O equipamento que chegou agora não é o VLT definitivo. É uma locomotiva usada para testar a ferrovia antes da chegada das novas composições. É isso que precisa ser dito.
Candidato tem todo o direito de criticar obra, cobrar prazo, questionar valor, perguntar quando o trem vai funcionar e até dizer que o projeto é ruim. O que não pode é usar uma informação pela metade para produzir uma crítica e depois gastar dois dias discutindo algo que poderia ser esclarecido em dois minutos.
E isso vale para todos. Vale para JHC, que deveria ter checado antes de reproduzir o vídeo. Vale para Renan Filho, que também precisa tomar cuidado para não transformar qualquer questionamento em fake news. Vale para o ministro, que poderia simplesmente apresentar os dados técnicos sem aumentar a temperatura política. E vale para nós, da imprensa.
Quando um veículo anuncia que “os vagões do VLT chegaram” e o que chegou foi uma locomotiva para testes, ajuda a criar a confusão. O jornalismo precisa fazer exatamente o contrário: apurar, conferir e explicar.
A campanha para governador está muito equilibrada. A Quaest colocou Renan Filho com 42% e JHC com 40%. Há assuntos sérios demais para discutir: saúde, segurança, educação, emprego, infraestrutura, dívida pública, mobilidade e desenvolvimento. Alagoas não pode perder tempo com falsas polêmicas. Os candidatos precisam informar melhor. A imprensa também.
Porque, o que está em jogo é o futuro de Alagoas.
