Em poucos dias, pesquisas diferentes colocaram Renan Filho e JHC na frente. Algumas mostram diferença pequena. Outras apontam vantagens de dez pontos ou mais.
A Falpe, por exemplo, mostrou Renan Filho em condição de vencer no primeiro turno. No mesmo período, o Índice Inteligência colocou JHC 12 pontos à frente. Antes disso, Quaest e Paraná também haviam apresentado resultados diferentes, embora ambos apontando uma disputa apertada. É aí que começa a confusão.
Pesquisa registrada no TSE não é pesquisa certificada pelo TSE. O registro informa metodologia, contratante, período de campo, tamanho da amostra, margem de erro e responsável técnico. Não significa que a Justiça Eleitoral esteja dizendo que aquele instituto é melhor ou que o resultado está correto. Por isso, não basta olhar quem aparece na frente.
É preciso saber quem fez a pesquisa, quem pagou, quantas pessoas foram ouvidas, em quais municípios, como a amostra foi distribuída e qual é o histórico daquele instituto.
Também não dá para pegar uma pesquisa de um instituto hoje e outra de um instituto diferente amanhã para dizer que houve virada. Tendência se acompanha dentro da mesma série.
Se JHC cresce em levantamentos sucessivos do mesmo instituto, há um dado a observar. Se Renan Filho cresce dentro de outra série, também. Comparar números crus de pesquisas diferentes pode produzir uma leitura errada.
E pesquisas não vão faltar. Há vários levantamentos registrados para divulgação nos próximos dias, de institutos nacionais e locais, alguns já conhecidos do eleitor alagoano e outros com pouca tradição no Estado.
Isso aumenta a responsabilidade da imprensa. Não basta publicar o número maior em manchete. É preciso contextualizar, informar quem contratou, explicar a margem de erro e mostrar se existe ou não uma série anterior daquele instituto.
Pesquisa pode ajudar muito o eleitor. Mas, usada sem contexto, pode virar apenas mais uma arma de campanha.
E numa eleição tão equilibrada, a guerra dos números pode confundir mais do que esclarecer.
