
Renan Filho e JHC estão na política há muitos anos, mas nunca haviam se enfrentado numa eleição. Agora, pela primeira vez, disputam o mesmo cargo.
Os dois são filhos de políticos, começaram cedo e construíram carreiras rápidas. João Henrique Caldas é filho do ex-deputado federal João Caldas, que é de Ibateguara, cidade da zona da mata de Alagoas. Renan Filho é filho de Renan Calheiros, senador, que é natural de Murici, também na região da zona da mata. Outra coincidência: a mãe de JHC é atualmente senadora, mesmo cargo do pai de Renan Filho.
Há semelhanças, mas também diferenças importantes. Renan Filho entrou na política seis anos antes e começou pelo Executivo. JHC começou pelo Legislativo e só dez anos depois chegou a uma prefeitura.
Renan Filho disputou sua primeira eleição em 2004. Aos 25 anos, foi eleito prefeito de Murici. Em 2008, conseguiu a reeleição.
Dois anos depois, mudou de rumo. Em 2010, foi eleito deputado federal e terminou a eleição como o mais votado de Alagoas.
m 2014, voltou ao Executivo. Disputou o governo de Alagoas e venceu no primeiro turno. Quatro anos depois, foi reeleito governador com mais de 77% dos votos.
Em 2022, deixou o governo para disputar o Senado. Venceu novamente. Depois, assumiu o Ministério dos Transportes no governo Lula. Agora, em 2026, tenta voltar ao governo.
JHC entrou nas urnas em 2010. Ficou na primeira suplência de deputado estadual, mas assumiu o mandato com a morte do deputado eleito.
Em 2014, também deu o salto para Brasília e foi eleito deputado federal, igualmente como o mais votado de Alagoas. A primeira tentativa de chegar ao Executivo veio em 2016. JHC disputou a Prefeitura de Maceió e perdeu.
Dois anos depois, voltou à Câmara dos Deputados. Em 2020, tentou novamente a Prefeitura de Maceió. Dessa vez venceu. Em 2024, foi reeleito prefeito com mais de 83% dos votos, uma das maiores votações proporcionais entre as capitais brasileiras naquele pleito. Agora deixou a prefeitura para disputar o governo de Alagoas.
A linha do tempo mostra como as duas carreiras foram se aproximando.
| Ano | Renan Filho | JHC |
| ---- | ----------------------------- | ------------------------------------ |
| 2004 | Eleito prefeito de Murici | Ainda não disputava eleição |
| 2008 | Reeleito prefeito de Murici | Fora das urnas |
| 2010 | Eleito deputado federal | Eleito deputado estadual |
| 2014 | Eleito governador de Alagoas | Eleito deputado federal |
| 2016 | Governador | Disputa Prefeitura de Maceió e perde |
| 2018 | Reeleito governador | Reeleito deputado federal |
| 2020 | Governador | Eleito prefeito de Maceió |
| 2022 | Eleito senador | Prefeito de Maceió |
| 2023 | Ministro dos Transportes | Prefeito de Maceió |
| 2024 | Ministro e senador licenciado | Reeleito prefeito de Maceió |
| 2026 | Disputa o governo | Disputa o governo |
Trajetórias
Renan Filho começou pelo Executivo, passou pelo Legislativo e voltou ao Executivo. JHC fez o caminho contrário. Começou deputado estadual, depois deputado federal e só em 2020 chegou ao comando da Prefeitura de Maceió.
Também há diferença no retrospecto eleitoral. Renan Filho venceu todas as eleições que disputou até agora: duas para prefeito, uma para deputado federal, duas para governador e uma para senador.
JHC teve uma derrota, em 2016, na primeira tentativa de chegar à Prefeitura de Maceió. Depois disso, venceu três eleições seguidas: deputado federal em 2018, prefeito em 2020 e prefeito novamente em 2024.
Os dois também chegam a 2026 depois de reeleições com votações muito altas. Renan Filho teve 77,3% dos votos quando foi reeleito governador em 2018. JHC chegou a 83,25% na reeleição para prefeito de Maceió em 2024.
Até aqui, porém, cada um jogou principalmente em um terreno diferente. Renan Filho construiu sua força no interior e no governo estadual. JHC construiu sua principal base em Maceió. Agora os dois disputam Alagoas inteira. E chegam ao primeiro confronto direto praticamente empatados nas pesquisas.
Depois de mais de duas décadas de carreira política para um e 16 anos para o outro, o eleitor finalmente terá os dois na mesma urna, disputando o mesmo cargo. A partir daí, a comparação deixa de ser inevitável. Passa a ser necessária.
