
Quanto custa realmente uma passagem de ônibus em Maceió? E quanto a Prefeitura precisa colocar no sistema para manter a tarifa paga pelo passageiro em R$ 3,49?
As perguntas são do vereador Tácio Melo (PSD), que assumiu a vaga de Rui Palmeira na Câmara de Maceió e conhece o setor. Tácio já comandou a área de Transporte e Trânsito na Prefeitura.
Ele classificou o sistema atual como uma “caixa-preta” e cobra informações sobre o custo real da tarifa, os critérios usados para calcular o subsídio e a fiscalização dos repasses.
Os números ajudam a entender a cobrança. Somente em março de 2026, o Fundo de Transportes Urbanos pagou R$ 120,5 milhões ao Consórcio Operacional do Sistema de Bilhetagem Urbana de Maceió (SIMM).
Foram sete empenhos:
03/03 – R$ 500 mil
05/03 – R$ 30 milhões
12/03 – R$ 30 milhões
19/03 – R$ 20 milhões
26/03 – R$ 40 milhões
O desembolso de março foge completamente da média. Em janeiro foram R$ 4,6 milhões e, em fevereiro, R$ 5,4 milhões.
Em um período maior, o demonstrativo do Fundo registra R$ 260,06 milhões empenhados entre janeiro de 2025 e junho de 2026. Foram R$ 257,56 milhões efetivamente pagos.
Considerando os R$ 260 milhões em 18 meses, são R$ 14,45 milhões por mês, em média, ou cerca de R$ 475 mil por dia. Ao preço de R$ 3,49 cobrado no Vamu Cidadão, o montante equivale ao valor de aproximadamente 136 mil passagens por dia.
A comparação com 2023 também chama atenção. Naquele ano, a própria Prefeitura informava que destinava R$ 5 milhões mensais ao subsídio e que a tarifa de R$ 3,49 era mantida graças ao aporte público.
Tácio diz que há estimativas de que o custo real da passagem possa atualmente superar R$ 8, mas ressalva que não dispõe das informações necessárias para confirmar o valor. Segundo ele, um pedido feito em abril por meio da Lei de Acesso à Informação continua sem resposta.
“Não estou acusando ninguém. Pode estar tudo certo. Mas é preciso transparência para saber quanto custa a passagem, quanto está sendo pago e como esses valores são calculados”, afirma.
O vereador também questiona o funcionamento do Conselho Municipal de Transportes Coletivos, que, segundo ele, não vem sendo convocado para discutir a tarifa. "O conselo pode até existir, mas não se reúne há vários anos", pondera.
A Prefeitura ampliou benefícios no transporte, incluindo gratuidade para estudantes e aos domingos. A questão levantada por Tácio é justamente quanto essa política custa ao contribuinte.
"É preciso abrir essa caixa-preta para saber como é feito o pagamento, se existe controle, porque chama a atenção o fato dos valores pagos ao consórcio normalmente serem arredondados, em 5 milhões, por exemplo, o que pode demonstrar um pagamento sem a devida apuração do subsídio que deveria ser pago por passageiros transportados", aponta Tácio.
Para o vereador, é preciso esclarecer que Maceió não tem a passagem mais barata do Brasíl: "o preço público pode até ser o menor, mas todos os contribuintes estão pagando, na verdade de forma indireta por uma passagem mais cara, que pode passar dos R$ 8. É preciso que essa questão seja efetivamente esclarecida para que o maceioense saiba qual é o verdadeiro valor da tarifa do transporte público", aponta.
Veja no arquivo a relação de pagamentos: