
Na eleição proporcional nem sempre quem tem mais voto entra. No Brasil, a eleição é do partido. Deputados são eleitos primeiro pelo quociente partidário e depois pelas sobras, distribuídas pelas maiores médias. Primeiro o partido conquista as vagas. Depois elas são distribuídas com os candidatos mais votados.
Dividir a votação total de cada partido ou federação pelo número de eleitos ajuda a entender quem aproveitou melhor seus votos. Em Alagoas, a diferença entre as legendas foi grande.
PSD teve a cadeira "pesada"
Na eleição para deputado federal, Alagoas teve 1.798.341 votos válidos para nove vagas. O quociente eleitoral ficou em 199.816 votos.
A Federação União Progressista fez 692.819 votos e quatro deputados, o que representa média de 173,2 mil votos por cadeira.
O PSD fez 443.573 votos, mas elegeu apenas dois, com média de 221,8 mil votos por deputado, a maior entre os grupos que conseguiram representação.
O MDB teve 323.971 votos e dois eleitos, média de 162 mil votos por cadeira. Já a Federação PSDB/Cidadania conseguiu uma vaga com 188.072 votos.
Depois da distribuição pelo quociente partidário, restaram três cadeiras. Pelas médias, elas ficaram com PSDB/Cidadania, União Progressista e MDB.
Na disputa pela última vaga, a média do MDB ficou em 161.986 votos. O PSD, naquele momento, tinha média de cerca de 147.858 na disputa da terceira vaga e precisaria chegar a aproximadamente 485,9 mil votos para superar essa média. Como fez 443,6 mil, faltaram em torno de 42,4 mil votos para entrar na briga pela terceira cadeira.
E a União Progressista poderia fazer cinco? Poderia, mas estava mais longe.
Depois de conquistar quatro cadeiras, a média da União Progressista para disputar uma quinta cairia para de 138,6 mil votos. Para superar a média que garantiu a última vaga ao MDB, precisaria passar de aproximadamente 809,9 mil votos.
Sobra de de 150 mil votos
Somados, PSD, MDB, União Progressista e PSDB/Cidadania — os quatro grupos que elegeram deputados — tiveram 1.648.435 votos.
Como foram registrados 1.798.341 votos válidos, isso significa que 149.906 votos foram dados a partidos e federações que não conquistaram nenhuma das nove cadeiras - o equivalente a 8,3% de todos os votos válidos para deputado federal em Alagoas.
Entre esses votos estão os da Federação Brasil da Esperança, que somou cerca de 97,9 mil, além do PL e das demais legendas que não conseguiram representação.
Aproveitamento de quase 100%
Na disputa de deputado estadual, foram 1.803.374 votos válidos para 27 cadeiras, produzindo um quociente eleitoral de 66.792 votos. O MDB fez 949.371 votos e elegeu 15 deputados. Média de 63,3 mil votos por cadeira.
A Federação União Progressista somou 323.343 votos e cinco vagas, média de 64,7 mil. A Federação Brasil da Esperança teve 205 mil votos para três deputados, média de 68,3 mil. O PL fez 136.753 votos e conquistou duas vagas com 68,3 mil de média, enquanto PSDB/Cidadania somou aproximadamente 180,9 mil e também elegeu dois, com 90,4 mil de média.
PSDB/Cidadania teve, de longe, a maior média de votos por deputado estadual eleito. E esteve perto de fazer o terceiro. Cerca de 9 mil votos separaram PSDB da terceira vaga
Na Assembleia, 25 das 27 vagas saíram inicialmente pelo quociente. Restaram duas cadeiras para a disputa das médias.
A primeira sobra ficou com a Federação União Progressista, cuja média era aproximadamente 64,7 mil votos. A segunda foi para o MDB, com média perto de 63,3 mil.
PSDB/Cidadania, com duas cadeiras já asseguradas, entraria na disputa da terceira dividindo seus 180,9 mil votos por três. A média ficou perto de 60,3 mil.
Para passar a média do MDB e ficar com aquela última cadeira, a federação precisaria chegar perto de 189,9 mil votos. Faltaram, portanto, cerca de 9 mil votos.
A Federação Brasil da Esperança precisaria de 48 mil votos a mais para entrar na disputa por uma quarta cadeira. O PL precisaria de de 53 mil para buscar a terceira. A União Progressista, depois das cinco vagas conquistadas, precisaria de 56 mil votos adicionais para brigar pela sexta.
Só 8 mil votos
E aqui um dado bem diferente entre as duas eleições. Dos 1.803.374 votos válidos para deputado estadual, os partidos e federações que conquistaram cadeiras somaram aproximadamente 1.795.342.
Apenas 8.032 votos, cerca de 0,45% dos válidos, ficaram em legendas que não elegeram ninguém. Para federal foram quase 150 mil votos sem representação.
Isso ajuda a explicar por que a disputa pela Assembleia foi tão eficiente para os grandes grupos. MDB, União Progressista, Brasil da Esperança, PL e PSDB/Cidadania praticamente dividiram entre si todo o eleitorado proporcional.
E deixa duas conclusões interessantes na eleição de 2026: o PSD foi quem mais pesou por cada deputado federal eleito; PSDB/Cidadania foi quem chegou mais perto de acrescentar uma cadeira à bancada estadual.
A regra das sobras é calculada pelas maiores médias, recalculadas a cada cadeira distribuída, como estabelece o TSE. Tribunal Superior Eleitoral
