
O Litoral Sul de Alagoas pode estar entrando em um novo ciclo de desenvolvimento, puxado pelo turismo, novos investimentos e maior integração entre os municípios. A avaliação é do prefeito de Coruripe e presidente da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA), Marcelo Beltrão, em entrevista ao Fala, Líder (veja aqui), programa apresentado por Edivaldo Junior na CBN Maceió.
Marcelo aponta a chegada do Vila Galé a Coruripe como um dos investimentos capazes de mudar a dinâmica econômica de toda a região. Segundo ele, o grupo português está construindo dois hotéis no município, com propostas diferentes. Um deles será voltado especialmente para famílias com crianças e terá parque aquático. O complexo também contará com estrutura para eventos.
Para Marcelo, o empreendimento pode funcionar como ponto de partida para uma expansão turística que alcance municípios como Jequiá da Praia, Penedo e Piaçabuçu. “Eu acho que é o alavanque do desenvolvimento do turismo de toda a região Sul, que é belíssima”, afirmou.
O impacto já começou antes mesmo da abertura dos hotéis. Segundo Marcelo, mais de 500 pessoas trabalham atualmente na construção dos novos empreendimentos, além da movimentação provocada pela contratação de máquinas, fornecimento de refeições e outros serviços. O prefeito destacou ainda que trabalhadores de diferentes municípios da região estão participando da obra, ampliando os efeitos do investimento para além de Coruripe.
A expectativa é que a nova estrutura fortaleça também outras atrações do Litoral Sul, especialmente num momento de melhoria da infraestrutura rodoviária e de novos projetos de integração regional.
Mas Marcelo considera que atrair grandes empreendimentos é apenas uma parte do desafio. Para ele, municípios precisam também encontrar formas de reduzir despesas e aumentar a capacidade de oferecer serviços públicos. Uma das soluções é o fortalecimento dos consórcios municipais.
O prefeito cita como exemplo a compra conjunta de medicamentos. Quando era prefeito de Jequiá da Praia, lembra que o município tinha dificuldades para atrair fornecedores e conseguir preços competitivos. Um medicamento adquirido por cerca de sete centavos por unidade passou a custar aproximadamente 1,5 centavo na primeira compra realizada de forma consorciada. “É economia de escala. É mais medicamento na prateleira”, resumiu.
Hoje, segundo Marcelo, o consórcio atende quase 50 municípios na aquisição de medicamentos. O modelo também pode ser usado em outras áreas. Marcelo cita o Serviço de Inspeção Municipal como uma ferramenta que, por meio dos consórcios, pode ajudar pequenos produtores a regularizar produtos de origem animal e ampliar o mercado. Na região Sul, uma das ideias é aproveitar peixes que atualmente têm baixo valor comercial para produção de alimentos destinados inclusive à merenda escolar. Para isso, explica, é necessário garantir inspeção e regularização sanitária.
Na avaliação de Marcelo, tanto a chegada de grandes investimentos privados quanto a cooperação entre municípios apontam para a mesma direção: ampliar oportunidades sem depender exclusivamente da capacidade financeira de cada prefeitura.
Veja a entrevista: