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HOME > blogs > EDIVALDO JÚNIOR
Imagem ilustrativa da imagem JHC faz terceira promessa e cala Lessa; falta só pedir música no Fantástico

BLOG DO
Edivaldo Júnior

JHC faz terceira promessa e cala Lessa; falta só pedir música no Fantástico


				JHC faz terceira promessa e cala Lessa; falta só pedir música no Fantástico

JHC encontrou uma nova maneira de manter Ronaldo Lessa ao seu lado. Depois de duas promessas não cumpridas, fez a terceira. Agora, se for eleito governador, pretende entregar ao ex-governador a presidência do Fundo Estadual de Combate e Erradicação da Pobreza, o Fecoep.

Na prática esse seria um cargo apenas de "fachada" ou "honorário". O presidente do Fecoep, quem manda e desmanda, é o governador.

Lessa aceitou. E, pelo menos por enquanto, silenciou a insatisfação que já havia chegado às executivas do PDT e alimentado conversas para uma possível reaproximação com Paulo Dantas. JHC anunciou o convite no sábado (19/09), apresentando o aliado como alguém experiente e preparado para comandar ações de combate à pobreza.

Se promessa valesse gol, Lessa já poderia pedir música no Fantástico. A primeira era a vice de JHC. Lessa deixou o grupo de Paulo Dantas acreditando que ocuparia a vaga. Célia Rocha apareceu como vice e Ronaldo foi parar na segunda suplência de Marina Candia.

Veio então a segunda promessa. Lessa renunciou à segunda suplência na expectativa de assumir a primeira, ocupada por Eudócia Caldas, mãe de JHC. Cumpriu sua parte. A mudança não aconteceu. Eudócia ficou onde estava, Jurandir Boia ocupou a segunda suplência e o ex-governador terminou fora das eleições.

Agora veio o Fecoep. E aí a história ganha desfecho que nem o melhor roteirista político teria coragem de inventar. Foi justamente na gestão de Ronaldo Lessa que o fundo foi criado, em 2004. E foi também por causa da aplicação de recursos do Fecoep que ele acabou condenado, em 2012, numa ação de improbidade administrativa.

A sentença da 16ª Vara Cível da Capital apontou desvio de finalidade na utilização de mais de R$ 50 milhões. Segundo a decisão, recursos arrecadados para o combate à pobreza foram depositados na Conta Única do Estado e utilizados em despesas correntes. Lessa sempre contestou a acusação e recorreu. O processo continua registrado pelo Tribunal de Justiça como estando em grau de recurso.

Há uma ironia nessa história: Lessa foi convidado para comandar o fundo responsável por sua condenação. Certamente ele não conhece a história do gato escaldado.

Mas esse talvez nem seja o aspecto mais relevante. O que chama atenção é onde Ronaldo Lessa chegou.

Há poucos meses, era vice-governador, tinha espaço no governo, estrutura política, cargos e alternativas eleitorais. Poderia disputar o Senado no grupo governista ou buscar uma candidatura a deputado federal. Escolheu sair porque acreditava que continuaria vice, agora ao lado de JHC.

Perdeu a vice. Aceitou a suplência. Perdeu também a suplência. Ficou fora da eleição. Começou a procurar Paulo Dantas novamente. E, quando o desconforto ameaçava virar rompimento, apareceu uma terceira promessa. O Fecoep.

Poucos personagens da política alagoana tiveram uma trajetória como a de Lessa. Foi prefeito de Maceió, governador por dois mandatos, vice-prefeito, senador e vice-governador. Teve poder, votos e protagonismo.

Agora, aos 77 anos, assiste de fora a uma eleição da qual poderia ter sido um dos principais personagens e depende de uma promessa de cargo futuro para manter espaço no grupo que escolheu. Depois da terceira promessa, Lessa continua com JHC. A música, pelo menos, já pode escolher.

E se precisar de sugestão, vai aqui uma: Tente outra vez, ou melhor, acredite mais uma vez.