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HOME > blogs > EDIVALDO JÚNIOR
Imagem ilustrativa da imagem HGE não tem paciente em corredor há mais de 3 anos, diz Fernando Fortes

BLOG DO
Edivaldo Júnior

HGE não tem paciente em corredor há mais de 3 anos, diz Fernando Fortes

O Hospital Geral do Estado, o HGE, voltou ao debate político em Alagoas nas últimas semanas. Alvo recorrente de críticas, a maior unidade pública de urgência e emergência do Estado foi defendida pelo diretor-geral, Fernando Fortes Melro Filho, durante entrevista ao Fala, Líder, programa apresentado por Edivaldo Junior na CBN Maceió.

Fernando afirmou que o HGE não tem mais pacientes internados em corredores há cerca de três anos e meio. Segundo ele, a situação encontrada no início de sua gestão, em janeiro de 2023, era diferente.

Ao assumir a direção do hospital, disse ter encontrado cerca de 120 pacientes nos corredores da unidade.

“Quando eu cheguei lá, realmente, vi vários pacientes nos corredores do hospital. A gente chegou e tinha 120 pacientes nos corredores”, afirmou.

A mudança, segundo ele, foi resultado de reorganização interna, definição de fluxos, apoio do governo estadual e integração com a rede de saúde criada nos últimos anos.

“Tem três anos e meio que não tem um paciente no corredor do HGE”, disse.

O HGE é o principal hospital público de urgência e emergência de Alagoas. Atende casos de média e alta complexidade, entre eles traumas graves, acidentes de trânsito, vítimas de violência, queimaduras, AVC, infartos e situações que exigem atendimento especializado imediato.

A reação mais dura de Fernando Fortes veio ao comentar críticas recentes feitas ao hospital com uso, segundo ele, de imagens antigas de pacientes em corredores.

O diretor afirmou que as imagens não retratam a situação atual do HGE e foram usadas em contexto político.

“Quando vi aquilo nas redes sociais desses candidatos, realmente me revoltei. Saí em defesa do HGE”, afirmou.

Fernando disse que não aceita que o hospital seja tratado como “patinho feio” da saúde pública.

“O HGE não merece ser tratado como patinho feio. Ele é o hospital que mais salva vidas no Estado de Alagoas”, afirmou.

Segundo ele, a crítica feita com base em informação falsa atinge não apenas a gestão, mas também os profissionais que trabalham no hospital e a população que depende da unidade.

“Os funcionários daquele hospital, médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, parte administrativa, maqueiros, não merecem ser tratados como se aquilo fosse um terror. Não é um terror”, disse.


				HGE não tem paciente em corredor há mais de 3 anos, diz Fernando Fortes
Fernando Fortes Filho. Reprodução Youtube

Mentira também mata.

Para Fernando Fortes, a desinformação sobre o HGE pode provocar consequências graves.

Ele afirma que, quando a população é levada a acreditar que o hospital está em situação de caos, pacientes graves podem deixar de procurar atendimento no momento certo.

O risco é maior em casos de infarto, AVC, trauma e outras ocorrências em que o tempo entre o início dos sintomas e o atendimento pode definir a vida do paciente.

“O cidadão que está em casa doente, passando mal, às vezes não vai procurar atendimento achando que o hospital está um terror”, disse.

Fernando afirmou que a perda de tempo pode tirar do paciente a chamada janela de atendimento.

“Quando essa pessoa vai ao hospital, ela já perdeu aquela janela de se salvar”, disse. Em seguida, fez a declaração mais forte da entrevista: “Mentira também mata.”

Portas abertas

Após os ataques ao hospital, Fernando Fortes decidiu abrir o HGE para a imprensa. Segundo ele, quatro emissoras de televisão visitaram a unidade. Um dos profissionais, contou o diretor, disse que tinha 25 anos de jornalismo e nunca havia entrado no hospital para fazer reportagem.

“Eu abri as portas do HGE. O HGE está aberto e está aberto sempre”, afirmou.

O diretor disse que a unidade continuará aberta para a imprensa, mídias digitais, parlamentares, autoridades e representantes da sociedade que queiram conhecer de perto a estrutura e o funcionamento do hospital.

“As portas do HGE estão abertas para a sociedade como um todo, para a imprensa, para homem público, deputado, senador, vereador. Quem quiser entender o que é o HGE, pode ir lá”, afirmou.

Fernando disse que pretende responder sempre que o hospital for atacado com informações que, na avaliação dele, não correspondem à realidade.

“Se falarem do HGE duas vezes, eu vou defender as duas. Se falarem do HGE cem vezes, eu vou defender cem vezes, com a mesma intensidade”, disse.

Hospital que salva vidas

O diretor reforçou que o HGE não pode ser comparado a unidades de baixa complexidade ou hospitais voltados a cirurgias eletivas. A função do HGE, segundo ele, é salvar vidas em situações de urgência e emergência.

“Os números do HGE falam por si só. E sabe o que são números na saúde? São vidas sendo salvas”, afirmou.

Até o início de agosto, o hospital já havia realizado mais de 20 mil atendimentos, quase 4 mil cirurgias e mais de 517 mil procedimentos em 2026, incluindo exames laboratoriais, exames de imagem, eletrocardiogramas e procedimentos de hemodinâmica.

A unidade tem 357 leitos, cerca de 15 mil metros quadrados de área física e aproximadamente 3 mil funcionários, entre médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, psicólogos, assistentes sociais, maqueiros e equipes administrativas.

O HGE também mantém especialidades de plantão 24 horas, incluindo neurologia, cardiologia, neurocirurgia, cirurgia geral, cirurgia vascular, ortopedia, plástica e outras áreas essenciais para o atendimento de casos graves.

Prédio novo não salva vidas

Fernando Fortes reconhece que o HGE funciona em uma estrutura antiga e que o prédio tem limitações. Mas afirma que o diferencial da unidade está na assistência oferecida. “O prédio novo não salva vidas. O que salva vidas é a assistência”, disse.

Ele defendeu que a força do hospital está na equipe, nos equipamentos e na presença de especialistas capazes de agir rapidamente em casos graves.

Como exemplo, citou a hemodinâmica, usada em procedimentos como cateterismos, angioplastias, intervenções vasculares e neurológicas.

Segundo Fernando, o HGE já conta com duas hemodinâmicas. A segunda foi inaugurada recentemente. Só neste ano, de acordo com ele, foram realizados cerca de 800 cateterismos e aproximadamente 400 procedimentos com stent.

Em um dos casos citados, o diretor afirmou que o stent utilizado em uma paciente custou R$ 200 mil e foi bancado pelo SUS.

“Isso foi feito pelo SUS. Foi o Estado que bancou o tratamento dessa paciente”, disse.

Rede estadual

Fernando também atribuiu parte da reorganização do HGE à ampliação da rede estadual de saúde nos últimos anos.

Ele citou a construção de UPAs e de hospitais regionais e especializados, como o Hospital do Norte, Hospital da Mata, Hospital do Alto Sertão, Hospital Metropolitano, Hospital da Mulher, Hospital de Palmeira dos Índios e Hospital da Criança.

Com essa rede, segundo ele, o HGE passou a concentrar melhor os casos compatíveis com seu perfil: média e alta complexidade.

Pacientes com menor gravidade devem ser atendidos em UPAs ou unidades adequadas. Já casos de AVC, infarto, politrauma, queimaduras e acidentes graves devem procurar o HGE.

“O paciente de média e alta complexidade vai ser atendido pelo HGE. Levou uma topada, vai para a UPA. Está com AVC, vai para o HGE”, explicou.

A lógica, segundo Fernando, é evitar que um caso simples ocupe leito necessário para salvar um paciente grave.

Novo HGE

Na entrevista, Fernando Fortes também defendeu a construção de um novo prédio para o HGE.

Ele disse que a ideia já foi apresentada em conversas internas e foi bem recebida, embora ainda não haja promessa formal ou projeto anunciado.

Para o diretor, pela importância do hospital, Alagoas deveria discutir a possibilidade de uma nova estrutura física para a maior unidade de urgência e emergência do Estado.

“Seria de bom grado se fosse construído um novo HGE, um prédio novo para o HGE, pela importância do hospital para o Estado”, afirmou.

Enquanto isso, segundo ele, a prioridade tem sido manter o hospital funcionando, ampliar leitos, modernizar equipamentos e fortalecer a assistência.

Além da nova hemodinâmica, Fernando citou tomografia nova, endoscopia, colonoscopia, ampliação de leitos de UTI, criação de UTI adolescente e previsão de abertura de mais 10 leitos de UTI adulta.

Defesa do SUS

Ao longo da entrevista, Fernando Fortes insistiu em uma ideia: qualquer pessoa pode precisar do HGE. Ele contou o caso de uma vítima grave de acidente, com alto poder aquisitivo, que chegou ao hospital e, em cerca de meia hora, estava no centro cirúrgico sendo atendida por cinco especialidades.

Para o diretor, esse é o papel do hospital público de urgência. “Eu, você, o presidente da República, o governador, o prefeito, qualquer um de nós, se tiver um acidente, para ficar vivo, tem que ir para o HGE para estabilizar”, afirmou.

A frase resume a defesa que Fernando faz da unidade. O HGE pode ter limitações físicas, enfrentar pressão diária e continuar sendo alvo de disputa política. Mas, na avaliação do seu diretor, é ali que o SUS mostra sua face mais decisiva em Alagoas: a de salvar vidas quando não há tempo a perder.


				HGE não tem paciente em corredor há mais de 3 anos, diz Fernando Fortes
Edivaldo Junior conversa com Fernando Fortes Filho. Reprodução Youtube