
Davi Davino Filho virou uma espécie de vice desejado pelos dois mundos da política alagoana. Foi chamado para conversar com o grupo de JHC. Também recebeu convite para compor com Renan Filho.
Nos dois casos, a resposta foi a mesma: o projeto, pelo menos até agora, continua sendo disputar o Senado.
Não é uma decisão simples. Davi sabe que uma candidatura ao Senado exige estrutura, tempo de televisão, alianças e presença nos municípios. Também sabe que enfrentará nomes fortes, alguns com mandatos, grupos consolidados e máquinas políticas funcionando em ritmo de pré-campanha.
Mesmo assim, decidiu permanecer no jogo.
Nos bastidores, recebeu propostas para desistir da disputa. Também enfrentou pressão sobre o Republicanos nacional, numa tentativa de tirar a legenda de seu controle político.
O Republicanos, comandado politicamente em Alagoas pelo deputado estadual Antônio Albuquerque, teria fechado acordo para apoiar Renan Filho na disputa pelo governo. Com isso, Davi pode ver seu próprio partido caminhar com o MDB.
Para ele, a saída será manter o projeto ao Senado na condição de “candidato avulso”.
Na prática, seria a mesma condição oferecida a outros aliados do grupo governista. Davi seguiria candidato, mas sem integrar a chapa principal ao Senado, hoje formada por Renan Calheiros e José Wanderley.
Aposta
A estratégia de Davi é outra. Ele acredita que pode disputar em pé de igualdade, apostando na lembrança eleitoral, na votação acumulada em campanhas anteriores, no corpo a corpo, na presença digital e no desgaste natural dos nomes mais tradicionais.
A aposta é arriscada, mas não é sem lógica. Davi foi candidato a prefeito de Maceió, disputou o Senado, construiu recall e manteve presença política mesmo fora de mandato.
Ao recusar a vice, também evita ficar subordinado ao projeto de outro candidato. Ser vice de JHC ou de Renan Filho poderia garantir espaço imediato, mas reduziria seu protagonismo. Ao insistir no Senado, mantém o próprio nome no centro do tabuleiro.
A pergunta é até quando. Com o Republicanos caminhando para apoiar Renan Filho, Davi terá de decidir se aceita disputar como candidato avulso dentro de uma aliança ampla, se busca outro arranjo político ou se reavalia o projeto mais adiante.
Por enquanto, segue dizendo que quer o que sempre quis: o Senado.