
Alagoas deve registrar o maior crescimento da produção de cana-de-açúcar do Nordeste em 2026. Segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado pelo IBGE, a colheita no Estado está estimada em 17,99 milhões de toneladas, aumento de 12,2% em relação ao ano passado. No Nordeste, a previsão é de crescimento de 3,4%, para 56,9 milhões de toneladas.
Com esse resultado, Alagoas deve responder por 31,6% da produção nordestina de cana, mantendo a liderança regional. Pernambuco aparece em segundo lugar, com previsão de 14,52 milhões de toneladas, seguido pela Paraíba, com 7,23 milhões, e pelo Rio Grande do Norte, com 5,25 milhões.
O levantamento também aponta recuperação da produtividade em Alagoas, com crescimento de 6,5%, chegando a 65,5 toneladas de cana por hectare. A melhora está associada às condições climáticas mais favoráveis, depois de uma safra marcada por estiagem e perdas no campo.
Moagem acima de 18,8 milhões
O levantamento acompanha projeção do Sindaçúcar-AL, que aponta que as 15 unidades industriais do Estado devem processar mais de 18,8 milhões de toneladas de cana na safra 2026/2027, crescimento superior a 6% em relação ao ciclo anterior.
O presidente do sindicato, Pedro Robério Nogueira, já admitiu a possibilidade de a moagem superar 19 milhões de toneladas, caso as condições climáticas continuem favoráveis.
Os números do IBGE e do Sindaçúcar utilizam períodos diferentes. O levantamento do instituto considera a produção agrícola no ano civil de 2026, enquanto a projeção das usinas corresponde à safra industrial 2026/2027, iniciada em agosto e com encerramento previsto para abril do próximo ano.
Os primeiros resultados confirmam um começo de safra mais forte. Até 30 de setembro, as usinas alagoanas haviam processado mais de 1,9 milhão de toneladas de cana, crescimento de 64,1% em relação ao mesmo período do ciclo anterior, quando a moagem ficou pouco acima de 1,2 milhão de toneladas.
Das 14 unidades industriais em operação naquele período, 12 registraram aumento no volume de cana processada. A produção de açúcar também apresentou forte crescimento, passando de 70,6 mil toneladas para mais de 145 mil toneladas, alta de 105,3%. Desse total, 117,2 mil toneladas foram de açúcar VHP, destinado principalmente à exportação.
No etanol, a produção chegou a 38,6 milhões de litros, crescimento de 84,3% sobre os 21 milhões de litros fabricados no mesmo período da safra passada. Foram 29 milhões de litros de hidratado e 9,6 milhões de litros de anidro.
Embora parte do crescimento inicial esteja relacionada ao calendário de entrada em operação das usinas, os números reforçam a expectativa de recuperação da produção alagoana.
Nordeste
No Nordeste, a previsão do IBGE é de crescimento de 3,4% na colheita de cana em 2026. A produtividade média regional deve alcançar 62,4 toneladas por hectare, aumento de 1% em relação ao ano anterior. O desempenho varia entre os estados. Enquanto Alagoas lidera a expansão e Pernambuco mantém uma produção superior a 14 milhões de toneladas, a Bahia deve registrar queda de 11,9%, para 5,5 milhões de toneladas. Na Paraíba, a previsão também é de recuo, de 1,7%.
No Brasil, a produção de cana está estimada em 738,7 milhões de toneladas, crescimento de 5,1%. São Paulo continua como maior produtor nacional, com previsão de colher 381 milhões de toneladas.