
Alagoas voltou a criar empregos com carteira assinada em julho. Os dados do Novo Caged, divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego nesta sexta-feira (28/08), mostram saldo positivo de 1.203 vagas no mês, resultado de 16.466 admissões e 15.263 desligamentos. Foi o segundo mês consecutivo no azul.
No acumulado de janeiro a julho, no entanto, o Estado ainda registra perda de 6.983 empregos: foram 116.427 admissões e 123.410 desligamentos. O resultado mantém Alagoas como o único Estado do Nordeste com saldo negativo no ano.
A fotografia muda quando se amplia o período de análise. Nos últimos 12 meses, entre agosto de 2025 e julho deste ano, Alagoas acumula saldo positivo de 15.232 empregos formais, com crescimento de 3,53% no estoque de trabalhadores.
É um ritmo quase duas vezes superior ao registrado no Brasil. No mesmo período, o país criou 880.717 postos de trabalho e ampliou o emprego formal em 1,87%. Entre os Estados, a alta de 3,53% coloca Alagoas na 11ª posição do país.
Sazonal
Os dados mensais ajudam a entender por que o saldo de 2026 ainda aparece no vermelho, mesmo com crescimento expressivo nos últimos 12 meses.
Alagoas tem forte influência da sazonalidade da agroindústria canavieira. O encerramento da safra provoca redução de postos de trabalho no campo e na indústria nos primeiros meses ano, quando termina a moagem. Com a preparação e o começo da nova safra, o movimento tende a se inverter no segundo semestre.
A série do próprio Caged mostra os efeitos da sazonalidade. Depois de criar 2.988 empregos em agosto de 2025, Alagoas abriu 14.450 em setembro, 4.768 em outubro e 3.018 em novembro. Em dezembro, com a safra avançando para o fim, o saldo caiu para menos 3.009.
Em 2026 vieram quatro meses seguidos de perdas: -2.342 em janeiro, -2.856 em fevereiro, -4.642 em março e -1.212 em abril. Maio praticamente zerou a conta, com 44 vagas positivas. Junho marcou a reação, com saldo já revisado para 2.822 empregos, e julho acrescentou mais 1.203.
A sequência ajuda a mostrar por que o acumulado entre janeiro e julho, sozinho, não resume a trajetória do mercado de trabalho alagoano.
Indústria, serviços e agro
Dos cinco grandes setores acompanhados pelo Novo Caged, quatro abriram vagas em Alagoas no mês. Serviços lideraram, com saldo de 504 empregos. A indústria veio logo depois, com 439 novas vagas, seguida pela agropecuária, com 316. O comércio teve saldo positivo de 52 postos. Apenas a construção fechou julho no vermelho, com perda de 108 empregos.
O resultado também mostra a aproximação da nova safra. Somados, indústria e agropecuária responderam por 755 das 1.203 vagas criadas no Estado em julho — quase 63% do saldo mensal.
O estoque de empregos formais chegou a 446.534 vínculos em Alagoas. A distribuição ficou assim:
Serviços: 220.771
Comércio: 103.979
Indústria: 65.508
Construção: 38.448
Agropecuária: 17.828
Total: 446.534
Na comparação com o estoque do mês anterior, a agropecuária teve o maior crescimento relativo, de 1,80%. A indústria avançou 0,67%; serviços, 0,23%; comércio, 0,05%. A construção recuou 0,28%.
O segundo semestre começa a mudar a curva. A reação de junho e julho ainda não foi suficiente para apagar as perdas concentradas nos primeiros meses de 2026. O déficit acumulado caiu, porém, de 8.215 empregos em junho para 6.983 em julho.
A tendência dos próximos meses será especialmente importante para Alagoas. Agosto e setembro coincidem com a retomada mais ampla das atividades do setor sucroenergético e, historicamente, concentram contratações no campo e nas usinas.
Não significa que o saldo negativo do ano deva ser desconsiderado. Ele existe e precisa ser registrado. Mas os três recortes contam partes diferentes da mesma história: Alagoas criou 1.203 empregos em julho, ainda perde 6.983 no acumulado de 2026 e, ao mesmo tempo, tem 15.232 trabalhadores formais a mais do que há 12 meses.
Para uma economia marcada pela sazonalidade da cana-de-açúcar, é justamente essa visão mais longa que ajuda a enxergar melhor a direção do mercado de trabalho.