
O placar terminou em 2 a 1, mas o jogo entregou muito mais do que três pontos ao CRB.
O Criciúma começou dentro de uma estrutura bem definida. Com a posse, jogava praticamente em um 1-3-4-3, com Marcelo Hermes e Willean Lepo bem altos pelos corredores, enquanto Otero se aproximava de Waguininho e Diego Gonçalves. Sem a bola, os alas baixavam e o sistema virava um 1-5-4-1.
Só que, apesar dessa organização, quem tomou conta do primeiro tempo foi o CRB.
Foram 14 finalizações, oito no gol e sete defesas de Airton apenas nos 45 minutos iniciais. Não é exagero chamar de bombardeio. O goleiro do Criciúma foi o grande nome da primeira etapa porque o Galo ocupou o campo ofensivo, acelerou pelos lados e conseguiu finalizar com frequência.
Mesmo pressionado, o Criciúma chegou primeiro à rede. O lance terminou anulado pelo VAR, com Gui Lobo impedido e participando da jogada.
O CRB respondeu rápido. Mikael brigou dentro da área, a bola sobrou para Crystopher, que bateu para vencer Airton e abrir o placar. Um gol que premiava a superioridade regatiana naquele momento.
Mas o empate do Criciúma mostrou exatamente uma das principais características do seu modelo.
Marcelo Hermes iniciou pela esquerda, Waguininho deu um toque de calcanhar, Otero fez a inversão para Willean Lepo e o ala direito chegou à linha de fundo para cruzar. Diego Gonçalves apareceu para concluir. Os dois alas participando da mesma construção, de um lado ao outro do campo. Quase um desenho tático transformado em gol.
No intervalo, ninguém mexeu nas peças. Mas o CRB mexeu na ocupação.
Thiaguinho e Dadá passaram a jogar bem abertos, enquanto Crystopher e Danielzinho atacavam mais os espaços interiores e a última linha do Criciúma. Isso começou a gerar dúvida nos encaixes defensivos do 1-5-4-1 catarinense.
Quando o Criciúma fechava por dentro, aparecia espaço nos corredores. Quando saltava para os lados, o CRB encontrava opção por dentro.
O Galo voltou a crescer.
Depois de uma cobrança de escanteio, Lyncon atacou a bola e acertou o travessão. No rebote, Danielzinho bateu de primeira e fez 2 a 1. E aí o futebol entregou uma daquelas ironias que ele adora.

Um dos jogadores mais criticados pela corneta regatiana foi justamente o autor do gol que devolveu o CRB ao G6.
Depois dos 30 minutos, o jogo mudou completamente.
O Criciúma lançou mais gente à frente. Ronald, Romarinho, Yuri Tanque, Thiaguinho e Hiago entraram na tentativa de aumentar a presença ofensiva e buscar o empate.
O CRB respondeu abrindo mão do protagonismo que havia exercido durante boa parte da partida. Passou a proteger a vantagem.
Montou uma linha de cinco e aumentou a estatura do momento defensivo para suportar uma das principais armas do Criciúma: cruzamentos e bola parada.
Não foi simplesmente recuar. Foi uma escolha de jogo.
Ainda assim, Vitor Caetano precisou aparecer.
O goleiro fez duas defesas muito importantes, uma na cabeçada de Yuri Tanque e outra numa finalização perigosa praticamente dentro da pequena área.
O Criciúma empurrou o CRB para trás e transformou os minutos finais em sobrevivência.
Até que veio o último lance.
Tanque cabeceou, marcou e por alguns segundos o Rei Pelé ficou em silêncio.
Só que a bola tocou em seu braço. O VAR chamou, o gol foi anulado e o estádio explodiu logo antes do apito final.
Aliás, vale o registro: o VAR foi decisivo e correto nas duas intervenções mais importantes da partida. Em dois momentos em que o campo validou gols do Criciúma, a tecnologia encontrou infrações que mudavam a decisão.
Quando o VAR corrige o erro sem querer ser personagem, ele cumpre exatamente sua função.
O CRB venceu um adversário forte, voltou ao G6 e deixou uma mensagem importante para o campeonato. Esse time já não pode ser visto apenas como alguém tentando se aproximar da parte de cima. Tem volume ofensivo, consegue atacar de maneiras diferentes, mostra maturidade para mudar de comportamento dentro do mesmo jogo e vem competindo em alto nível contra adversários que também olham para o acesso.