
O empate por 1 a 1 com Marrocos foi justo, mas o jogo mostrou duas equipes em momentos diferentes de construção. Marrocos sabia como se conectar. O Brasil ainda procurava onde e com quem jogar.
A Seleção teve enorme dificuldade para sair desde a defesa, aproximar seus meio-campistas e fazer a bola chegar em boas condições ao ataque. Não faltaram apenas passes certos. Faltaram relações entre os jogadores.
Essa ausência ficou evidente pelo lado direito. Ancelotti tentou Raphinha e Paquetá naquele corredor durante o primeiro tempo, mas nenhuma das alternativas funcionou. Ibañez também pouco acrescentou na construção. O Brasil ficou desequilibrado, previsível e dependente de Vini Jr. pelo lado esquerdo.
Enquanto o time brasileiro procurava conexões, Ayyoub Bouaddi dominava o centro do campo. Aos 18 anos, o volante marroquino venceu nove duelos e completou 29 passes na zona ofensiva. Os números ajudam a explicar o que os olhos já mostravam: ele não apenas combateu, também fez Marrocos jogar.

Bouaddi oferecia linha de passe, recebia sob pressão e encontrava soluções à frente. O Brasil tinha jogadores mais experientes no setor, mas foi o jovem marroquino quem controlou o ritmo da partida. A atuação dele foi destacada como um dos pontos centrais da superioridade de Marrocos no primeiro tempo.
Ancelotti melhorou a Seleção quando mudou as peças e, principalmente, os movimentos. Danilo deu maior segurança à lateral, Luiz Henrique passou a ocupar o lado direito com força e profundidade, enquanto Fabinho se juntou a Bruno Guimarães e Paquetá pelo centro.
Foi o melhor momento do meio-campo brasileiro.
Mais próximos, os três passaram a oferecer linhas de passe, proteger melhor a bola e reduzir a distância até os atacantes. O Brasil ganhou equilíbrio porque passou a ocupar melhor os espaços, não porque permaneceu preso a um desenho tático. Sistemas mudam durante o jogo. O que define o funcionamento são os movimentos e as conexões.
Vini Jr. encontrou o empate pelo talento que separa os jogadores comuns dos excepcionais. Mas uma Seleção candidata ao título não pode depender de uma solução individual toda vez que o coletivo falhar.
